Quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Brasil

/

Caso Isabelle Caracristi: o que se sabe sobre a morte de universitária em condomínio de Fortaleza

Brasil

Caso Isabelle Caracristi: o que se sabe sobre a morte de universitária em condomínio de Fortaleza

A Polícia Civil aponta queda voluntária, mas investiga suspeitas de violência psicológica e indução ao suicídio; namorado foi preso preventivamente

Caso Isabelle Caracristi: o que se sabe sobre a morte de universitária em condomínio de Fortaleza

Foto: Reprodução

Por: Metro1 no dia 23 de setembro de 2026 às 16:07

Atualizado: no dia 23 de setembro de 2026 às 16:08

A universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta na noite de 13 de setembro, no pátio de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, onde morava com o namorado, João Munhoz Neto, de 34 anos. Dez dias após a morte, João foi preso preventivamente por suspeita de violência psicológica, indução ao suicídio e ameaça.

A Polícia Civil informou nesta quarta-feira (23) que a principal linha da investigação aponta que Isabelle morreu após uma queda voluntária do rooftop do prédio, no 23º andar. A corporação, no entanto, afirma que outras possibilidades ainda não foram completamente descartadas e que o caso continua sob investigação.

O que aconteceu

Segundo imagens de câmeras de segurança e informações da investigação:

  • 17h58 de 13 de setembro: Isabelle chegou ao condomínio carregando uma mala e foi recebida por João.
  • 18h31: João deixou o prédio após passar pela portaria.
  • 19h12: Isabelle apareceu sozinha no elevador, com o celular na mão, e seguiu para o rooftop, no 23º andar.
  • Por volta das 20h40: segundo a investigação, ocorreu a morte.
  • 22h48: João retornou ao condomínio. Uma equipe da Perícia Forense já estava no local.

Não há câmeras de segurança no rooftop. Mais de 700 vídeos de outros pontos do condomínio e de áreas próximas estão sendo analisados pela Polícia Civil. Segundo a corporação, as imagens disponíveis corroboram a conclusão sobre a queda.

O que apontou a perícia

Isabelle morreu em decorrência de politraumatismo causado pelo impacto da queda, segundo a Perícia Forense do Ceará (Pefoce). A necropsia identificou múltiplas lesões compatíveis com o impacto contra o solo, mas não encontrou sinais de violência no corpo. O exame toxicológico também apresentou resultado negativo para substâncias de interesse. A perícia informou ainda que Isabelle não estava grávida.

Suspeitas contra o namorado

Apesar de a polícia apontar a queda voluntária como causa da morte, a investigação também identificou indícios de violência psicológica e comportamento controlador por parte de João Munhoz. Segundo depoimentos reunidos pela Polícia Civil, ele teria limitado a circulação de Isabelle e tentado afastá-la do convívio com outras pessoas. A polícia investiga se esse comportamento está relacionado à suspeita de indução ao suicídio. De acordo com relatos obtidos pelos investigadores, no dia seguinte à morte João voltou ao condomínio onde morava com Isabelle para procurar o celular dela.

Ainda segundo a polícia:

  • o apartamento teria sido limpo e colocado à venda;
  • João teria impedido a entrada de familiares de Isabelle no imóvel;
  • ele deixou o local carregando malas;
  • nos dias seguintes, mudou de endereço;
  • inicialmente, não constituiu advogado;
  • só oito dias após a morte compareceu à delegacia acompanhado de uma advogada.

O delegado-geral Márcio Gutierrez afirmou que João não colaborou com as investigações. O celular de Isabelle foi recuperado e será periciado. O aparelho de João também foi apreendido e passa por análise. A polícia ainda apreendeu o celular e um tablet da mãe dele, Sara Regina Alexandre Munhoz.

A prisão de João Munhoz

João foi preso preventivamente na manhã de terça-feira (22), em um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza. Segundo a Polícia Civil, a prisão foi determinada para garantir a instrução criminal e assegurar a aplicação da lei penal. Ele prestou depoimento na noite de segunda-feira (21) e foi ouvido novamente após a prisão.

A prisão preventiva foi mantida pela Justiça Estadual em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (23). O Tribunal de Justiça do Ceará informou que os procedimentos relacionados à investigação tramitam em segredo de Justiça.

O que diz a defesa

A advogada Lígia Peixe, que representa João, afirmou que a prisão preventiva surpreendeu a defesa. Segundo ela, o cliente havia se apresentado voluntariamente à polícia na segunda-feira, entregado o celular e informado um endereço onde poderia ser localizado.

A defesa também afirmou que João está fragilizado desde a morte de Isabelle e sob efeito de medicamentos, sem especificar quais.

O que a família de Isabelle relatou

A mãe da jovem, Isorlanda Caracristi, afirmou que considerava o relacionamento entre Isabelle e João controlador e chegou a descrevê-lo como "obsessivo". Segundo Isorlanda, a filha conheceu João durante um estágio em um escritório de advocacia. Poucos dias depois, contou à família que estava namorando com ele.

A mãe também relatou que Isabelle teria contado que João tentou acompanhá-la durante um exame ginecológico. No dia da morte, segundo Isorlanda, Isabelle passou o fim de semana com ela e recebeu diversas mensagens do namorado. A jovem se queixou de dores no pescoço e tomou um relaxante muscular.

No fim da tarde, disse à mãe que iria à missa com João e a família dele. Por volta das 19h, as duas tiveram o último contato. Isabelle mencionou que havia deixado um frango na airfryer e, pouco depois, enviou uma mensagem dizendo: "mãe, eu te amo". A mãe só soube da morte no dia seguinte, depois de não conseguir contato com a filha nem com João e ir até o condomínio.

A repercussão do caso

A morte ocorreu em 13 de setembro, mas ganhou grande repercussão nas redes sociais a partir de 18 de setembro, quando Isorlanda publicou um vídeo cobrando explicações e justiça pela morte da filha. Após a prisão de João, a mãe publicou outro vídeo nas redes sociais mostrando a certidão de óbito de Isabelle e afirmou que a prisão representava, para a família, o início de um processo de justiça.