
Brasil
Ibama aplica R$ 2 milhões em multas por queimadas ilegais na Amazônia
MPF pede força-tarefa após fumaça deixar Manaus em nível “perigoso” de qualidade do ar

Foto: Divulgação/DF
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou R$2 milhões em multas por incêndios florestais ilegais que cobriram Manaus de fumaça nas últimas semanas. Nos últimos sete dias, os agentes registraram 19 casos de infração contra responsáveis pelas queimadas e proibiram temporariamente qualquer atividade econômica ou uso do solo em 12 áreas, que somam 250 hectares.
Entre os proprietários punidos, três não adotaram as medidas de prevenção e combate a incêndios exigidas em editais de notificação do Ibama, seis causaram danos à vegetação nativa e dois destruíram áreas de floresta. Também houve punições por atividade agrossilvopastoril sem licença ambiental, na qual é feito o uso integrado de uma mesma área para cultivo de árvores, lavouras e pecuária.
O presidente do órgão, Jair Schmitt, afirmou que as equipes verificam as áreas queimadas para identificar os responsáveis e classificou os incêndios como criminosos, em alguns casos o fogo passou das cercas e atingiu áreas públicas e outras propriedades. O trabalho deve continuar nos próximos dias, em ação coordenada com órgãos federais e estaduais.
Investigação e consequências
Segundo apuração feita pela Folhapress, houve consenso entre os agentes de que a origem das queimadas é quase inteiramente humana e intencional. As investigações, incluindo a da Polícia Federal, apuram se há motivação política. Em relatório sobre reunião realizada no sábado (17), o procurador André Luiz Porreca, do Ministério Público Federal (MPF), registrou que a maior parte dos incêndios tem natureza criminosa, pelas características da vegetação atingida, e está tradicionalmente ligada à pecuária, sem excluir outras motivações. O Ministério Público do Amazonas abriu inquérito civil para apurar as causas.
Segundo o governador Roberto Cidade, 11 pessoas foram presas em Autazes por suspeita de envolvimento em crimes ambientais ligados às queimadas ainda no sábado, mas não divulgou os nomes. Explicou que cerca de metade dos focos está em áreas federais e a outra metade em áreas estaduais. Autazes registrou 139 focos entre os dias 10 e 13, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Já no domingo (18), o MPF pediu a instalação, em até 72 horas, de uma sala de situação interfederativa em Manaus, a criação de uma força-tarefa e a suspensão de qualquer autorização para queima. No mesmo dia, uma comitiva do governo federal visitou a região, com os ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente), Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), José Múcio Monteiro (Defesa) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional).
A fumaça deixou Manaus nove dias seguidos com ar prejudicado, levou ao cancelamento de atividades ao ar livre e a centenas de pessoas buscarem atendimento médico por problemas respiratórios. No sábado, às 8h40, o índice de qualidade do ar chegou a 657 pontos, nível “perigoso”, e a concentração de partículas finas chegou a 59,2 vezes o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo a plataforma IQAir.
O Amazonas registrou 8.177 focos de incêndio em 2026 até 18 de outubro, alta de 111% em relação ao mesmo período de 2025, mas 49% abaixo da média histórica. Na Amazônia como um todo, foram 40.633 focos, alta de 62% na comparação anual e 47% abaixo da média histórica do Inpe.
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