
Brasil
Governo envia ministros ao Mato Grosso do Sul para apurar ataques contra indígenas após eleições
Comitiva visita aldeias Guarani Kaiowá após denúncias de agressões, ameaças de envenenamento da água e incêndio criminoso

Foto: Valter Camponato/Agencia Brasil
Uma comitiva do governo federal desembarcou em Mato Grosso do Sul neste sábado (31) para apurar denúncias de agressões, ameaças e violações de direitos humanos contra comunidades indígenas após o segundo turno das eleições. A missão foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O grupo reúne os ministros Eloy Terena, dos Povos Indígenas; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; e Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania. Também participam as deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriabá.
Neste sábado, a comitiva visitou a aldeia Taquaperi, em Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai. O roteiro prevê ainda uma passagem pela aldeia Sassoró, em Tacuru, onde foram registradas ameaças contra moradores.
Áudios mencionam envenenamento da água
A visita à aldeia Sassoró ocorre após a circulação de áudios atribuídos a dois servidores da prefeitura de Tacuru. Em uma das gravações, um homem sugere colocar veneno na água consumida pelos indígenas e afirma: "Tem que matar essas pragas na água".
A prefeitura confirmou que os dois envolvidos são funcionários municipais e informou que ambos foram afastados das funções e respondem a processos administrativos.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), perícias preliminares não identificaram contaminação nos poços artesianos da comunidade. As ameaças e as gravações seguem sob investigação da Polícia Federal (PF).
Governo investiga outros episódios de violência
A força-tarefa também acompanha denúncias de outros ataques contra indígenas Guarani Kaiowá. Na quinta-feira (29), a casa de reza da liderança espiritual Ñandesy Roberta, de 90 anos, foi destruída por um incêndio criminoso na aldeia Jaguapiré, também em Tacuru.
A deputada Célia Xakriabá afirmou que os episódios representam uma escalada de violência contra os povos originários e relacionou as hostilidades à mobilização indígena durante as eleições.
A operação conta com a participação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Força Nacional de Segurança Pública. O governo federal informou que pretende manter a atuação na região até a apuração dos crimes e a identificação dos responsáveis.
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