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Passeio de época tem 'mucamas' servindo lanche para turistas

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Passeio de época tem 'mucamas' servindo lanche para turistas

Na última quinta-feira (8), uma polêmica envolvendo a Fazenda Santa Eufrásia ganhou as redes sociais. Os internautas questionaram o racismo explícito no anúncio publicitário da fazenda, que oferecia lanche servido por 'escravos' a turistas. [Leia mais...]

Passeio de época tem 'mucamas' servindo lanche para turistas

Foto: Igor Alecsander/The Intercept

Por: Yasmin Garrido no dia 09 de dezembro de 2016 às 19:53

Na última quinta-feira (8), uma polêmica envolvendo a Fazenda Santa Eufrásia, construída em 1830, em Vassouras, única propriedade particular tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio de Janeiro (Iphan/RJ) no Vale do Café, ganhou as redes sociais. Os internautas questionaram o racismo explícito no anúncio publicitário da fazenda, que oferecia lanche servido por 'escravos' a turistas.

A fazenda oferece um passeio de época para apresentar ao turista o ambiente da produção de café, que sustentava a região. No entanto, em um dos vídeos de divulgação do pacote turístico oferecido pela propriedade, quem recebe os turistas é uma das bisnetas do coronel Lemos, Elizabeth Dolson. Vestida com roupas de época, ela apresenta toda a estrutura do lugar, com direito até a um café feito na própria fazenda, servido por mulheres negras vestidas de mucamas.

Anteriormente, o Mapa de Cultura do Rio de Janeiro trazia o roteiro como disponível aos interessados, mas, depois da repercussão negativa, a busca no site aparece como inválida.

Confira nota da Fazenda Santa Eufrásia:

"Foi publicada no dia 06 de dezembro, no site The Intercept, a matéria com o título: Turistas podem ser escravocratas por um dia em fazenda “sem racismo”, narrando a experiência que a jornalista Cecília Olliveira teve em visita à Fazenda Santa Eufrásia durante recepção turística que é conduzida pela proprietária, Beth Dolson.

Em seu artigo, a jornalista teve uma percepção incomum acerca das experiências relatadas pelos milhares de visitantes que por aqui passam, fruto de um trabalho responsável e feito de maneira coletiva há anos na região, visando o resgate da história e da cultura do Vale do Café.

Estamos falando da região que foi o centro da economia no século XIX, a maior produtora de café do país. O lado triste dessa história é que toda riqueza desse tempo foi construída com base no trabalho escravo, de um povo sofrido, que teve sua vida reduzida a horas e horas de esforço, castigos e poucos momentos de descanso.

A recepção feita na Santa Eufrásia é o retrato de uma época, que se materializa a partir da encenação teatral com elementos da cultura, das danças, da música, das vivências e do relato de histórias que não podem ser esquecidas. A história contada de forma lúdica leva os visitantes a refletirem sobre a época em todos os aspectos, e a experiência vivida desperta diversas emoções. Esse é um dos princípios do turismo de experiência e lamentamos que apenas aspectos negativos possam ter sido sentidos e relatados pela autora da matéria.

Lamentamos mais ainda que o trabalho tenha sido associado com práticas racistas e escravistas, sendo que repudiamos qualquer tipo de ação relacionada a esses temas, já que justamente lidamos diariamente com o peso e as marcas desse triste período da história.

É injusto e questionável que uma única visão possa se perpetuar como verdade absoluta para diversas pessoas que nunca estiveram ou presenciaram as visitas na Santa Eufrásia. Essa imagem errônea denigre o trabalho de mais de 15 anos que vem sendo desenvolvido como parte do fortalecimento do turismo regional, oferecendo uma reflexão social a partir da experiência turística que, dentre diversas potencialidades, também cria oportunidades em seu entorno, fomentando a economia criativa".