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Com custo de R$ 7 milhões, levantamento sobre uso das drogas é engavetado pelo governo

Especialistas da área avaliam que o estudo foi arquivado por não confirmar a tese da existência de uma epidemia de drogas no país, defendida o ministro da Cidadania, Osmar Terra

[Com custo de R$ 7 milhões, levantamento sobre uso das drogas é engavetado pelo governo ]
Foto : Wilson Dias/ Agencia Brasil

Por Juliana Almirante no dia 28 de Maio de 2019 ⋅ 10:40

O governo do presidente Jair Bolsonaro arquivou uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre o uso de drogas no país que demorou três anos para ficar pronta e custou R$ 7 milhões. 

Oficialmente, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) alega que a pesquisa não é divulgada porque a Fiocruz não teria cumprido exigências do edital. No entanto, especialistas da área avaliam que o estudo foi engavetado por não confirmar a tese da existência de uma epidemia de drogas no país, defendida o ministro da Cidadania, Osmar Terra.

Em entrevista ao Globo, o ministro diz que não confia nas pesquisas da Fiocruz. Apesar de contestar que a fundação teria feito o levantamento em "algumas cidades", Osmar Terra usa o argumento de que vê outra situação nas ruas de apenas uma cidade do País, o Rio de Janeiro.  

"É uma pesquisa baseada em algumas cidades. Na prática, fala que o número de pessoas que usam drogas é pequeno. É uma metodologia que eu não usaria, uma opinião de quem é do ramo. Na minha opinião, as pesquisas da Fiocruz estão sendo montadas para provar que não tem epidemia (de uso de drogas no Brasil). Agora, anda na rua no Rio de Janeiro e vê a quantidade crescente de pessoas se drogando nas ruas. Se isso não é uma epidemia, eu não entendo mais nada do que é epidemia", opinou. 

Em resposta, a Fiocruz defende a metodologia da pesquisa e sustenta que o trabalho obedeceu aos critérios estabelecidos pelo edital. 

Diante do problema, a fundação acionou a Advocacia Geral da União (AGU) que, por sua vez, convocou a câmara de conciliação, responsável por intermediar impasses entre órgãos públicos. Será decidido se a pesquisa será divulgada com a aprovação da Senad ou rejeitada. Caso seja vetado definitivamente, o estudo deve ser refeito ou a Fiocruz deve reembolsar os R$ 7 milhões ao governo.

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