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'Optar pela economia é agravar situação econômica', alerta Alexandre Schwartsman

Ex-diretor do BC critica discurso de Bolsonaro, que tem defendido o fim do isolamento social contra a pandemia do coronavírus ao alegar prejuízos à economia

['Optar pela economia é agravar situação econômica', alerta Alexandre Schwartsman]
Foto : Reprodução/ Youtube

Por Juliana Almirante no dia 27 de Março de 2020 ⋅ 12:48

O economista e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil Alexandre Schwartsman criticou, em entrevista à Rádio Metrópole, o discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro, que tem defendido o fim do isolamento social contra a pandemia do coronavírus ao alegar prejuízos à economia.

"Acho uma falsa escolha a ideia de nos preocupar menos com a pandemia e tentar botar as pessoas para trabalhar. O problema é que isso daí agrava a doença e a gente pode ter uma mortalidade maior, que tem um efeito ainda pior sobre a atividade, seja porque todo mundo vai ter uma reação negativa a isso, seja porque na frente vamos ter que tomar medidas ainda mais duras para conter a pandemia. Acho que a gente tem que começar mais cedo. A gente perdeu a oportunidade, eu acho. A gente tem que parar a economia agora, resolver a questão de saúde e arrumar uma ponte para aguentar esse período que não sabemos quanto tempo vai durar. E lá na frente resolver essa questão econômica. Acho que optar pela economia agora é na verdade agravar a situação econômica. Não estou falando de agravar daqui a dois anos é daqui a duas semanas", alerta.

Alexandre acredita que a postura de Bolsonaro se deve, em parte, pela ignorância que já demonstrava em outros cargos públicos.

"Olha o histórico do presidente como deputado, como militar, é uma pessoa extraordinariamente mal preparada em qualquer dimensão. Não tem nada que ele parece entender. Estava vendo ele dando declaração de que brasileiro pula no esgoto e não fica doente. Isso é uma coisa que além de ser errada, não se fala, ainda mais em um país em que metade da população não tem acesso a saneamento básico. Fica doente sim, e morre", diz o economista.

Ele ainda criticou as declarações do presidente que colocam na conta dos governadores e prefeitos os custos da pandemia à economia.

"Tem um calculo político meio bruto. 'Quem vai ficar com culpa da parada na economia são os governadores e não eu'. Olho assim: que cálculo político estúpido. Eu acho que é um risco enorme ter uma pessoa com esse grau de despreparo na presidência da República. Não tem outras palavras para descrever isso", afirmou.

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