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De Booker Washington a Manuel Querino, pesquisadora defende em livro a educação na luta contra o racismo

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De Booker Washington a Manuel Querino, pesquisadora defende em livro a educação na luta contra o racismo

Livro escrito pela pesquisadora inglesa Sabrina Gledhill, produzido pela editora Edufba, terá uma cerimônia de lançamento na próxima quinta (19) em uma live, com a participação do autor Flavio Gomes

De Booker Washington a Manuel Querino, pesquisadora defende em livro a educação na luta contra o racismo

Foto: Reprodução

Por: Luciana Freire no dia 11 de novembro de 2020 às 12:49

A escritora e pesquisadora inglesa Sabrina Gledhill comentou hoje (11), em entrevista na Rádio Metrópole, seu livro 'Travessias no Atlântico Negro: reflexões sobre Booker T. Washington e Manuel R. Querino', para ela, os dois pesquisados são exemplos na luta anti racista ao mostrar em suas obras o valor da cultura negra.

O livro da editora Edufba, que será lançado na próxima quinta (19) em uma live com a participação do autor Flavio Gomes, é o desenvolvimento da tese de doutourado de Gledhill, realizado na Universidade Federal da Bahia. Nele, a autora analisa as trajetórias e táticas do negro alforriado educador e líder afro-americano estadunidense Booker T. Washington (1856/1915) e do baiano Manuel R. Querino (1851/1923), autor de 'A arte culinária na Bahia' para enfrentar o racismo, dentro do contexto do Atlântico Negro. A tese evidencia a educação como caminho para a liberdade.

A pesquisadora conta que sua relação com a Bahia teve início através da capoeira: "terminei meu mestrado fui para o Brasil pensando em passar três meses fazendo pesquisas preliminares para voltar para os Estados Unidos e fazer o doutorado. Depois de um tempo vi que as pessoas na Bahia estavam cansadas de ser estudadas e pesquisadas. Eu decidi viver a cultura, não somente pesquisar", conta Sabrina.

"Acabei integrando o grupo de capoeira Angola Pelourinho e graças a mestre João Grande e mestre Cobra Mansa eu consegui fazer alguma coisa", diz a pesquisadora e aprendiz de capoeira.

Sabrina Gledhill revelou um pouco do que descobriu sobre o baiano Manuel Querino. Ele perdeu os pais com quatro anos de idade em Santo Amaro e foi levado para Salvador entregue a um tutor, Manoel Correia Garcia, que era um educador. "Ele [Querino] teve acesso a uma coisa que no Brasil era muito raro: instrução. Ele era uma pessoa letrada em um país de analfabetos, brancos e negros". Após servir na Guerra do Paraguai, Querino volta à Bahia e começa a pesquisar sobre a culinária baiana.

Manuel Querino foi aluno fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, e, após o rompimento do seu professor, o espanhol Miguel Navarro y Cañizares, para estabelecer a escola de Belas Artes, Querino o seguiu, sendo da primeira geração de alunos da instituição.