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Cidade

Revitalização é esperança para o futuro da Baixa dos Sapateiros

Segundo especialistas, possibilidades são inúmeras

[Revitalização é esperança para o futuro da Baixa dos Sapateiros ]
Foto : Dimitri Argolo Cerqueira/Metropress

Por Gabriel Amorim no dia 04 de Fevereiro de 2021 ⋅ 13:40

Olhando para trás não resta dúvidas, a Baixa dos Sapateiros se transformou, ao longo de décadas de história, perdendo um pouco do prestígio que um dia deu à avenida o título de principal centro comercial de Salvador. Mas, como diz o ditado, quem foi rainha nunca perde a majestade. Com a Baixa não é diferente e, olhando para frente, é possível agir para devolver ao espaço aquilo que ele mais gosta: gente!

“É muito bom saber que tem alguém interessado, ainda, na nossa Baixa. A coisa pode ser melhorada e vai ser melhorada”, diz a comerciante Maricélia, que além de lojista é também moradora da JJ Seabra. Enquanto folheia e lê a matéria publicada na última edição do Jornal da Metrópole, que conta a história do lugar, Maricélia faz questão de já pensar no futuro. “Que a revitalização aconteça mesmo. A Baixa dos Sapateiros tá precisando de incentivo, é que as pessoas venham ver o que tem de fato aqui, lojas boas, preço baixo, lojas arrumadas. Um dos centros comerciais mais seguros de Salvador”, defende.

Para dar uma resposta a Maricélia e a tantos outros moradores e comerciantes que sentem falta de ver a avenida cheia de gente querendo comprar, o Jornal da Metrópole conversou com profissionais da arquitetura e urbanismo para entender: o que pode ser feito para revitalizar o espaço? Antes de pensar nas possibilidades, no entanto, é necessário responder a outra pergunta: o que já está nos planos da prefeitura para a Baixa dos Sapateiros?

A gestão do prefeito Bruno Reis respondeu aos questionamentos da reportagem através de nota. Além de destacar obras de revitalização realizadas desde 2013, o texto reconhece a importância do espaço para a cidade. “A Baixa dos Sapateiros é uma importante região para Salvador, dentro da história, cultura e costumes do Centro Histórico e que, durante as últimas décadas, veio sofrendo um forte processo de degradação”, diz a nota, que ainda destaca ações como a requalificação do Camelódromo,  reconstrução do Mercado de São Miguel, entregue no ano passado, e a requalificação da escadaria da Barroquinha, dentre outras intervenções.

Para o futuro, a gestão municipal diz que está nos planos a requalificação de outro terminal da região - o da Barroquinha já está em obras que devem ser concluídas esse ano. “Um dos próximos passos é a requalificação do Terminal do Aquidabã, cujo projeto está sendo elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), com estimativa de ser iniciada ainda este ano e que deverá transformar o local em uma grande área de lazer e convivência, com equipamentos esportivos, iluminação, estacionamento e paisagismo”, diz o texto. Segundo a prefeitura, todas as intervenções fazem parte do programa Salvador 360, eixo Centro Histórico, com investimento municipal de cerca de R$300 milhões para a região.

Possibilidades 

Professor aposentado da Faculdade de Arquitetura, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Ormindo explica que, naturalmente, o lugar se transformou com o passar dos anos, o que não é uma exclusividade da Baixa.  “Acho que a Baixa dos Sapateiros resistiu a todas essas transformações ao longo dos anos melhor do que outras vias da cidade como a Avenida Sete e a Rua Chile. Com certeza toda a mudança da concentração de atividades da cidade, tanto as administrativas, que migraram para o CAB, quanto o próprio comércio que foi para a região do Iguatemi influenciaram para que aquela região se transformasse. Acredito que agora a Baixa dos Sapateiros precisa ser melhor integrada ao Centro Antigo da cidade”, defende.

De forma prática, o professor acredita que uma das intervenções que podem colaborar para chamar público ao espaço e integrá-lo ainda mais fortemente ao Centro Antigo é a criação de uma ligação entre as áreas da Lapa e da Barroquinha “Uma possibilidade é a criação de uma galeria, uma espécie de túnel, que leve os passageiros daquela região de maneira mais rápida até a Estação da Lapa. Um equipamento desse fortaleceria inclusive o uso do metrô e das linhas de ônibus da região e tornaria a locomoção da região muito mais rápida”.

O arquiteto e urbanista Saul Kaminsky vai além e sugere medidas integradas para devolver ao lugar o prestígio de antes. “Pensando em como é possível requalificar essa região, penso em três cenários importantes a serem considerados: transportes, incentivos fiscais e a própria divulgação do lugar. Um pacote assim, que abranja todos esses âmbitos poderia ter força para atrair de novo a população para esse lugar que hoje está sem o destaque que merece”, diz o profissional.

Saul detalha uma das possibilidades, que traria mudanças diretas a uma das maiores queixas de quem frequenta o lugar: a mobilidade. “Na área do transporte acho que algo que poderia realmente funcionar seria a ampliação de estações de metrô entre a Lapa e a Barroquinha. Seria possível pensar numa conexão melhor desses espaços, que traria um desenho urbano muito interessante para a cidade. Isso também faria surgir um novo caminho para o Centro Histórico Antigo de Salvador, e por isso é uma intervenção de efeitos muito positivos do ponto de vista urbanístico", explica Kaminsky.

Novas transformações

O urbanista, no entanto, as medidas precisam acontecer em conjunto com políticas que olhem de novo para a Baixa dos Sapateiros e busquem formas de absorver a transformações trazidas pelas décadas. “Outro ponto importante é pensar na forma de divulgar a região de forma atrativa. É uma região que só teria destaque se existisse também uma intervenção na forma de uso do lugar. Hoje se tem um uso muito dinâmico, você encontra de tudo. Isso é bom. Mas esse comércio de rua, em ruas históricas, precisa se destacar ṕor alguma coisa mais incomum”, opina.

Para quem vive a realidade do lugar, tornar a baixa conhecida novamente através de algum produto específico é uma possibilidade animadora. “Talvez se o poder público investisse para transformar aquele lugar em um polo de algum produto específico, atraísse lojas grandes, para que o lugar ficasse famoso e conhecido como lugar para comprar tal coisa, talvez fosse uma forma de salvar a Baixa dos Sapateiros”, defende Ivo Fucs, 82 anos, que fechou as portas de sua loja na avenida depois de 52 anos de atividades.

Com tanta gente apaixonada pelo lugar e com possibilidades tão diversas de intervenção é fácil concluir que a Baixa dos Sapateiros não precisa ficar na saudade e pode, facilmente, voltar a não sair do pensamento dos baianos.

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