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Cidade

Baixa dos Sapateiros: transporte é principal questão da região e opiniões divergem

Enquanto comerciantes reclamam da retirada de linhas de ônibus, Semob defende que região não deixou de ser atendida

[Baixa dos Sapateiros: transporte é principal questão da região e opiniões divergem]
Foto : Pedro Moraes/GOVBA

Por Gabriel Amorim no dia 17 de Fevereiro de 2021 ⋅ 09:00

Quando se fala da Baixa dos Sapateiros e da sua requalificação, um assunto vem sempre à tona: transporte e mobilidade. Para quem mora e trabalha por lá a extinção de linhas de ônibus foi uma das principais culpadas pela perda de movimento na avenida. Já as autoridades responsáveis pela mobilidade da cidade defendem que a região não ficou desassistida com as mudanças, Há quase quatro anos, o Jornal da Metrópole acompanha a situação da região e agora repete a pergunta: como anda o acesso à Baixa dos Sapateiros e o que fazer para melhorar?

Em 2018, mudanças no sistema de transporte da cidade retiraram algumas linhas de ônibus que levavam passageiros direto para a Baixa. Desde então, a questão do transporte e mobilidade se transformou em queixa constante dos comerciantes da região. As reclamações começaram há anos, com a criação da Estação da Lapa.  “Na época da criação da Estação da Laṕa muitas linhas de ônibus foram deslocadas para lá, esvaziando a Estação da Barroquinha, não tinha necessidade disso”, recorda o representante da Associação dos Lojistas da Baixa dos Sapateiros e Barroquinha (Albasa), o comerciante Ruy Barbosa.

Barbosa lembra que quando chegou na região, ainda nos anos 80, circulavam na região cerca de 150 ônibus por hora, número que foi sendo reduzido ao longo dos anos. De 100 ônibus/hora em 1990, o número passou para 60 em 2012. “Hoje não devemos ter nem trinta”, diz ele. Segundo a Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob), as mudanças feitas no transporte para a região em 2018 não afetam o acesso à Baixa para quem precisa do transporte público. Atualmente, 13 linhas permaneceram atendendo esta região, favorecendo diversos bairros da cidade como Paripe, Pirajá, Acesso Norte, Pau da Lima, São Marcos, Vale das Pedrinhas, Fazenda Grande, Parque São Cristóvão, entre outros. Além destas em funcionamento, outras cinco linhas estão suspensas em razão da pandemia.

“Não existe falta de atendimento em nenhuma localidade da cidade. As cidades mudam de tempos em tempos, muitas vezes regiões que eram mais atrativas passam a ser menos atrativas para determinados negócios ou atividades. É interessante que os comerciantes entendam essas mudanças e possam se reinventar”, opina o titular da pasta da mobilidade, Fabrizzio Muller. O secretário ainda explica o que motivou a mudança e a retirada de algumas linhas da região há alguns anos. “O transporte na cidade precisa funcionar como rede, vocẽ não tem como ter ônibus saindo de todos os lugares para todos os lugares, por isso a necessidade das pessoas fazerem integração. Quando uma linha é retirada, não é exatamente uma retirada. Ela é substituída, existem opções de acesso aos lugares. Na maioria das vezes, essas alternativas ainda são mais rápidas, de forma mais eficiente. Ninguém deixa de chegar em nenhum lugar, só é preciso verificar quais são as alternativas”, detalha.

Ainda segundo o secretário, as linhas de ônibus retiradas foram substituídas por opções de integração que utilizam linhas com origem nos terminais da Lapa, Aquidabã e Acesso Norte. A linha que liga o Terminal Acesso Norte à Barroquinha dando acesso à Baixa dos Sapateiros, por exemplo, teve média diária de 103.900 passageiros em janeiro. Segundo a Semob, podem utilizar essa linha para chegar ao destino de compras moradores de bairros como Pau Miúdo, Santa Mônica, Pernambués, São Gonçalo, Engomadeira, Sussuarana e Mata Escura, que tiveram sua ligação direta com a Baixa retirada.

“O uso da integração é algo relativamente novo na cidade, o uso dos terminais, tudo isso é muito novo na cidade, e a gente sabe que demora um tempo para que as pessoas se acostumem. É preciso entender que Salvador é uma metrópole e como qualquer metrópole  o sistema precisa funcionar como uma rede, a gente precisa utilizar as integrações”, defende Muller.

Uma solução possível

Se os ônibus acabaram por se tornar um ponto polêmico para a Baixa dos Sapateiros, há quem defenda uma solução que, à primeira vista, pode parecer ainda mais polêmica: a volta dos bondes. Um desses profissionais é o arquiteto e urbanista Adalberto Vilela, sócio do TRPC Arquitetos. “O bonde sempre teve uma importância muito grande para a área. Repensar as linhas de bonde e o contorno do Centro Antigo por meio deles seria muito interessante. Fazer isso seria estabelecer na Baixa dos Sapateiros uma grande artéria de transporte sem que isso signifique uma modificação no traçado urbano do lugar”, explica o profissional.

Adalberto reconhece a importância da via e acredita que qualquer melhoria precisa passar por uma mudança nos transportes.“A Baixa dos Sapateiros tem uma importância muito grande no sentido de conexão mesmo para a cidade. A retomada da conexão entre o Centro Antigo a o restante da cidade de Salvador, passa necessariamente por um repensar da Baixa dos Sapateiros. E sempre que se fala na necessidade de reconexão da cidade, refazer ligações que se perderam, a questão do transporte vem muito a mente”.

O profissional ainda explica que, apesar da cara de antigo, a opção do bonde como uso de transporte se modernizou e é o que hoje se conhece como VLT - Veiculo Leve sob Trilhos. Para o profissional, os bondes seriam uma boa opção para a Baixa diante das caracteristicas do lugar. “O Centro Antigo de Salvador foi adequado para os bondes desde o fim do século XIX. Existem uma série de ruas e largos adequados desde lá e o desenho ainda existe. Então, implantar bondes na região não é um grande desafio. Trazer o bonde de volta não implicaria em grandes obras”, defende Vilela.

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