Sábado, 04 de dezembro de 2021

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Roda Baiana: depois de um ano de pandemia, médica relata rotina de enfrentamento

Intensivista e reumatologista a médica Luiza Ribeiro foi a entrevistada desta terça-feira (9)

 Roda Baiana: depois de um ano de pandemia, médica relata rotina de enfrentamento

Foto: Reprodução

Por: Gabriel Amorim no dia 09 de março de 2021 às 14:45

 

Já faz mais de um ano que os profissionais de saúde estão em combate direto contra o novo coronavírus. Passados tantos meses a médica reumatologista e intensivista Luiza Ribeiro foi a entrevistada de hoje (9) do Roda Baiana para compartilhar um pouco da sensação e experiência de trabalho tão intensa. “24 horas de plantão na UTI grave não me cansa tanto quanto ficar discutindo uso de cloroquina e ivermectina”, relatou a médica.

Sobre os meses de trabalho, a profissional destacou que o tempo longo contribui para um cansaço grande dos profissionais. “A gente vem se desdobrando. Uma carga de trabalho pra quem tá na linha de frente tá muito grande. Um estresse emocional muito grande.  É difícil lidar; estar diante de uma doença completamente nova. No início tivemos medo de nos contaminar e depois com o tempo os casos foram diminuindo e a gente foi ficando mais confortável para lidar. Agora essa segunda onda veio para nos testar. De uma forma absurda, com doentes muito mais graves, e UTIs lotadas. No nosso limite de estresse e de cansaço. Agora não sabemos nem o que vai acontecer nas próximas semanas”, contou a profissional.

Para o futuro a médica não vê cenários animadores, pelo menos por enquanto. “A gente ainda vai piorar. Antes de melhorar. Se a gente tivesse vacina poderíamos estar melhor. A gente teve a chance. Nos deu a chance de entender o que aconteceu aprendendo com a Europa que já recebeu a vacina na segunda onda”, acredita a profissional.

Diante de meses ainda no mesmo ritmo, a profissional chama atenção para a importância de compreender que a vacinação em massa é a saída mais eficaz para que a pandemia seja combatida. “A nossa saída é a vacina. Se a vacina tivesse chegado antes, a gente estaria muito melhor do que a gente está agora. É só ver os números dos países que vacinaram em grande escala. O que me cansa é essa conversa dos medicamentos. Quando eu vejo, estudo falando de ivermectina. Para quem estuda isso parece que é questionar se o homem foi à lua ou não. O mundo não fala mais nisso e aqui no Brasil  a gente tem que parar para falar”, acredita a médica. 

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