Sexta-feira, 03 de dezembro de 2021

Cidade

“A polícia destruiu minha família”, diz irmã após morte de jovens da Barroquinha

Jorge Luis Nascimento, de 23 anos, e seu amigo, Joanildo Bispo, foram encontrados morto após terem sido presos pela PM

“A polícia destruiu minha família”, diz irmã após morte de jovens da Barroquinha

Foto: Acervo Pessoal

Por: Gabriel Amorim no dia 21 de setembro de 2021 às 09:40

A morte dos jovens Jorge Luis Nascimento, 23 anos, (foto) e Joanildo Bispo da Silva, de 22, que geraram protestos nesta segunda-feira (20) na Barroquinha, seguem sem explicação. 

Para a família de Jorge, a morte dos dois foi causada por agentes da Polícia Militar. “A polícia destruiu minha família”, diz Tamires Lima, irmã.

Segundo a jovem, o irmão e o amigo saíram de casa, na região da Baixa dos Sapateiros, por volta das 12h de domingo (19) para ir à praia. Jorge era esperado para o almoço, mas não voltou. “A gente sempre almoçava juntos no domingo. Ele era um pai de família. A filha dele com problema do coração, tinha feito até cirurgia, precisa de remédios caros. Ele tinha acabado de comprar uma moto e ia começar o trabalho em uma empresa’, lamenta Tamires.  

Com a demora do jovem, a família chegou a buscá-lo em hospitais e delegacias e foi ao Grupo Especial de Repressão a Roubos de Coletivos (Gerc), onde, após duas visitas, recebeu dos policiais a informação de que os dois teriam sido detidos, por suspeita de assalto a ônibus, mas que haviam sido liberados por volta de 17h30 do próprio domingo. “O próprio policial disse que meu irmão estava com uma roupa muito parecida com a de um bandido que assaltou um coletivo, mas que depois eles perceberam que a blusa era diferente. A do meu irmão tinha uma listra branca que a do assaltante não tinha”, relatou.

A família voltou para casa, na noite do domingo, para esperar o retorno de Jorge, que não aconteceu. No dia seguinte, os corpos de Jorge e Joanildo foram encontrados no bairro de Valéria, em Salvador. “Agora querem dizer que meu irmão foi morto por bandidos. Não foi. Como iam saber que meu irmão estava na delegacia? Ninguém me tira da cabeça que foi a políca”, acredita a irmã da vítima. 

O Metro1 entrou em contato com a Polícia Militar para solicitar mais informações sobre o caso, mas não recebeu retorno até o momento da publicação deste texto.

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