Terça-feira, 18 de janeiro de 2022

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Sem pagar salários há 5 meses, direção do Colégio 2 de Julho convoca professores para reunião

Chamada acontece após greve deflagrada por docentes de faculdade administrada por mesma fundação

Sem pagar salários há 5 meses, direção do Colégio 2 de Julho convoca professores para reunião

Foto: Divulgação Colégio 2 de Julho

Por: Adele Robichez no dia 01 de dezembro de 2021 às 16:24

Completando neste mês cinco meses de salários atrasados, os professores do Colégio 2 de Julho foram convocados pela direção pedagógica para uma reunião, prevista para as 9h30 desta quinta-feira (2) na sede da instituição. A chamada acontece após a greve deflagrada pelos docentes da faculdade administrada pela mesma fundação, justificada também pelo descumprimento de obrigações trabalhistas.

Apesar da insatisfação, diferentemente da Faculdade 2 de Julho, os professores do colégio não pretendem paralisar as atividades. Isso acontece porque a semana de provas que encerra o ano letivo chega ao fim neste sábado (4).

Aissa Sampaio, professora de Química do 1º ano do Ensino Médio, revelou que foi contratada pelo colégio este ano, após uma demissão em massa de professores. Ela contou que, no dia seguinte a uma reunião realizada com o diretor da instituição, Marcos Baruch, onde os docentes se queixaram da falta de pagamentos, cerca de seis trabalhadores foram desligados. 

Segundo Aissa, um professor teria se chateado ao ouvir as mesmas justificativas repetidas frequentemente pela direção, sem propostas concretas de resolução do problema, e se retirou no meio da reunião. A atitude teria provocado a sua demissão e a de demais colegas. Ela ressaltou que os trabalhadores estavam há mais de cinco anos sem receber 13º salários e férias, com FGTS e INSS recolhidos, sem repasse.

Para suprir a falta destes profissionais, a docente passou a dar aulas na instituição em abril, quando recebeu o primeiro salário. Nos meses seguintes, porém, ela afirma que não foi mais paga. “Quando os meninos voltaram, já encontraram uma turma de professores nova. Continuamos as aulas. Em abril, me pagaram corretamente, quando entrei. Mas em maio, junho, julho, e assim por diante, nada. Para a gente não reclamar, os salários são pagos de 30% em 30%. Nisso, a gente está com cinco meses de salários atrasados, agora em dezembro. E desde quando a gente entrou, nenhum direito trabalhista nos foi repassado”

A colaboradora do C2J ainda acrescentou que os pagamentos fracionados são depositados no cartão de alimentação disponibilizado pela instituição, que serve exclusivamente para a compra de gêneros alimentícios

“Eu não sei o que eles estão tentando sustentar. Eles informam sempre que não têm dinheiro, sendo que estão todos os alunos pagando as mensalidades. Eles também dizem que quem nos sustenta é a faculdade e que, como os professores de lá estão em greve, não tem como pagar a gente”, completou a professora.

De acordo com Aissa, assim como na faculdade, os alunos do colégio recebem boletos de pagamento da escola com inconsistências. “Tenho mais de quatro alunos da turma que me mostraram os boletos e cada um tem um CNPJ”, indicou.

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