Quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Cidade

Vereadora chora e acusa bancada evangélica de LGBTfobia por não aprovar Plano de Cultura

Projeto tramita na Câmara há cinco meses

Vereadora chora e acusa bancada evangélica de LGBTfobia por não aprovar Plano de Cultura

Foto: Divulgação/CMS

Por: Geovana Oliveira no dia 01 de dezembro de 2021 às 19:16

Os parlamentares da oposição na Câmara Municipal de Salvador têm reclamado do receio da Bancada Evangélica em torno de temáticas LGBTQIA+. Nesta quarta-feira (1º), a vereadora Laina Crisóstomo (PSOL), do mandato coletivo Pretas Por Salvador, chorou com a resistência para aprovação do Plano Municipal de Cultura e do Plano para Infância e Adolescência.

O Plano de Cultura tramita na Câmara há cinco meses. O relator do projeto, Silvio Humberto (PSB), conversou com o Metro1 e diz que o motivo dos adiamentos é o embate sobre a inclusão da cultura LGBT no plano. 

Laina, a única representante LGBTQIA+ na Casa, que tem 43 cadeiras, reclama da LGBTfobia. "Já tem cinco meses que o Plano de Cultura está na Casa, construído pela Sociedade Civil e Poder Público. E nesse processo entre os eixos de cultura, tem a cultura LGBT. Na última semana, tivemos conversa com a bancada evangélica tentando dialogar com isso, uma tratativa muito forte com a FGM e as bancadas, pra gente conseguir que esse plano fosse aprovado", conta. 

"Aí surge o Plano para Infância e Adolescência, no mesmo período, e nesse os parlmanetares propõem emendas. Dentro da estrutura do plano, que também vem do Executivo, ele vem tratando da inclusão do tema de direitos sexuais e reprodutivos", diz a vereadora. De acordo com ela, o tema é importante devido aos números alarmantes de violações sexuais em crianças e adolescentes. 

No entanto, segundo Laina, a bancada mais conservador da Câmara leva a discussão novamente para o tema LGBT. "A fala deles era de que isso era erotizar a infância, sempre na perspectiva de LGBTfobia, de tratar como pedófilos e pederastas os homossexuais. A palavra é quase um tabu na Casa". 

"Recentemente tivemos um Projeto de Lei que foi rejeitado pelo CCJ: a criação do dia municipal de enfrentamento ao lesbocídio. Foi rejeitado por aumentar despesas do município. Como a criação de um dia faria isso? Isso tem a ver com a estrutura lgbtfóbica. Traz o cenário do contexto que estamos vivenciando", afirma Laina.

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