Sexta-feira, 13 de maio de 2022

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Erro em posto de vacina impede que profissional de saúde tome a 2ª dose, em Salvador

Mulher tenta provar à SMS que não tomou a 1ª dose em data que consta no Certificado Nacional de Vacinação, onde há o registro de duas primeiras doses

Erro em posto de vacina impede que profissional de saúde tome a 2ª dose, em Salvador

Foto: Reprodução

Por: Tailane Muniz no dia 19 de janeiro de 2022 às 12:52

Faz oito meses que a auxiliar em saúde bucal Elisabete Jesus dos Santos, 38 anos, tenta provar à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em Salvador, que não tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19 em fevereiro do ano passado. O registro consta no Certificado Nacional de Vacinação de Elisabete, disponível no ConecteSUS, e atrasou em três meses o início do ciclo de imunização da profissional. 

Ela mal sabe explicar as circunstâncias - a história é mesmo complicada, diz - mas a tela da plataforma exibe o registro de duas primeiras doses, quando a regra é mostrar primeira e segunda. Uma delas na Faculdade Bahiana de Medicina, em Brotas - lugar em que a auxiliar nunca esteve. "Tomei um susto quando descobri que já constava uma. Corri atrás e consegui [a 1ª dose], super atrasada, já em novembro. A segunda, infelizmente, o sistema não libera porque constam lá dois registros". O Metro1 procurou a SMS e aguarda retorno.

Na prática, Elisabete se vale de uma dose que, sozinha, é insuficiente para garantir proteção. No papel, tem como comprovar duas -  que nem mesmo podem validar a presença da mulher em ambientes de convívio coletivo, pois, diz o título em negrito no ConecteSUS, respondem pela mesma porção inicial. 

Pela profissão que exerce, Elisabete faz parte do grupo prioritário na estratégia de vacinação na capital e, portanto, poderia ter iniciado a imunização em maio. "A dona da clínica em que eu trabalho tomou na Bahiana, no mesmo dia que mostra o cartão virtual, acredito que pode ter acontecido uma confusão porque ela tinha documentos meus. Só que o dela [cartão de vacina] está normal", comenta, ao acrescentar que a patroa já tomou também a dose de reforço.

À reportagem, a profissional conta que já não sabe a quem recorrer para reverter a situação. "Eu só quero poder viver em sociedade, levar meu filho ao cinema, coisa que é impossível porque eu simplesmente estou vulnerável [ao vírus]".

A série de protocolos gerados nas ouvidorias da SMS e Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes), coordenado pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), não resolveu a situação de Elisabete, ainda à espera da correção para, enfim, sentir-se segura em meio à nova alta infecções.
 

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