Quarta-feira, 18 de maio de 2022

Cidade

Menino tem pé furado e vai a hospital por falta de proteção em obra de condomínio popular

Morador de casa vizinha à construção também relata medo de queda de funcionários, vistos trabalhando sem EPIs e tela de segurança

Menino tem pé furado e vai a hospital por falta de proteção em obra de condomínio popular

Foto: Leitor Metro1

Por: Adele Robichez no dia 25 de janeiro de 2022 às 14:35

A construção de um condomínio popular na Alameda Beija Flor, no bairro Jardim das Margaridas, em Salvador, tem atormentado a vida de um morador do bairro. Wallace Brito, de 30 anos, conta que, desde o ano passado, vem sofrendo uma série de prejuízos causados pela falta de proteção da obra. Segundo ele, materiais caem frequentemente na sua residência, situação que já levou o seu filho ao hospital.

Há cerca de 40 dias, o filho de Brito pisou em um prego preso a uma tábua de madeira. Na ocasião, o menino, de apenas cinco anos, precisou ser levado ao Hospital São Rafael. Desde então, ele e o seu irmão de dois anos não podem mais ter acesso ao quintal da casa.

“Cai bloco, pedra, resto de cimento… estou tendo muitos prejuízo de bens materiais, além dessa situação com o meu filho. Não consigo ter acesso ao meu quintal. Se eu abrir a porta, os meus filhos vão, e tem chance de acidente. Nem o Natal eu pude fazer por causa da obra. Investi em uma piscina, em uma área de serviço e não posso usar”, conta o morador.

Com o quintal vetado aos filhos, o que mais preocupa Brito hoje é a possibilidade da queda dos funcionários da construção na sua casa. “Os funcionários trabalham sem EPIs, dormem lá… ficam soltos, pendurados, sem proteção nenhuma. Fico com medo de algum dia um deles cair na minha casa, porque fica logo embaixo da obra”, teme.

“A obra está continuando sem nenhuma tela, sem proteção… eles poderiam tentar não concluir do meu lado até que seja feita uma reparação para que não cause mais danos à minha casa”, clama Brito. Ele acredita que, mesmo com o alvará concedido pela prefeitura, não há fiscalização. Ele prestou uma queixa junto à Sedur nesta terça-feira (25), solicitando o embargo imediato da construção até a regularização da situação.

Em resposta à denúncia, o proprietário da LH Construtora, empresa responsável pelo condomínio, Luis Henrique Amorim, confirmou ao Metro1 que tem o alvará de construção emitido pela Sedur e segue todas as regras determinadas pela prefeitura. A obra tem 14 edifícios de quatro andares.

“Os meus funcionários usam todos os EPIs – capacete, cinto de segurança… – e eu comprei a tela, porque as casas são muito coladas, mas há o afastamento de obrigação que a prefeitura exige. É de 1,5 metros e eu estou com 2 metros. Amanhã de manhã a tela já estará lá”, garante.

Procurada, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) informou que irá encaminhar uma equipe de fiscalização ao local para adotar as medidas necessárias. 

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