Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Cidade

Quase uma década depois, quiosques novos ainda não existem na Orla de Salvador

Até 2010, as folgas da comerciária Janete Bitencourt tinham um destino certo: aproveitar as praias de Salvador. E não faltavam opções: eram 480 barracas onde o banhista encontrava, além da cervejinha gelada, um petisco, a comodidade de um banho para tirar o sal do corpo e um banheiro. [Leia mais...]

[Quase uma década depois, quiosques novos ainda não existem na Orla de Salvador]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 18 de Junho de 2015 ⋅ 11:00

Até 2010, as folgas da comerciária Janete Bitencourt tinham um destino certo: aproveitar as praias de Salvador. E não faltavam opções: eram 480 barracas onde o banhista encontrava, além da cervejinha gelada, um petisco, a comodidade de um banho para tirar o sal do corpo e um banheiro.

Mas, desde a decisão do juiz Carlos D’Ávila, da 13ª Vara da Justiça Federal, que determinou a derrubada de todas as barracas da Orla da cidade, Janete e milhares de banhistas ficaram sem a estrutura que os atraía à praia. “Hoje a gente tem que ficar exposto ao sol o tempo todo. Tudo ficou ruim. Eu venho agora de mês em mês à praia. Quando venho”, reclama.
O problema tinha data para acabar: verão de 2014. Este foi o prazo dado pela Prefeitura de Salvador para a entrega de 120 quiosques de Tubarão até Stella Maris — não mais na areia, mas nos calçadões que margeiam a praia. No projeto apresentado com euforia pelo prefeito ACM Neto (DEM), os espaços teriam até 100 m² com estrutura de madeira e alvenaria, cozinha, banheiros, e toda a infraestrutura necessária. Até agora, nada mudou.

 
 
“Eu ganhava R$ 200 por dia. Hoje ganho R$ 20”

Procurado pelo Jornal da Metrópole, o prefeito ACM Neto não quis comentar a demora na entrega de um das suas principais promessas de campanha. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Prefeitura afirmou que, até dezembro, ao menos 60 barracas devem ser entregues.


Enquanto a morosidade toma conta do processo, gente como a ambulante Juscélia Lins, que vende cangas e biquínis nas areias de Salvador há 35 anos, vê a situação ficando mais difícil. “Os turistas sumiram desde que tiraram as barracas. Na maré boa eu vendia 300, 400 biquínis. Hoje, quando vendo um, eu agradeço a Deus”, afirma.


Barraqueiro da praia de Jaguaribe há oito anos, Miguel Souza passa boa parte do dia sentado embaixo de um sombreiro à espera de consumidores que aparecem com cada vez menos frequência. Segundo ele, a situação era totalmente diferente quando as barracas ainda estavam de pé. “Era 100% melhor. A gente tinha condições para oferecer. Agora não. Eu ganhava R$ 200, R$ 300 por dia, hoje ganho R$ 20“, lembra.

 
Prefeitura culpa união e dá novo prazo
 

O secretário de Cultura e Turismo do município, Érico Mendonça, culpa a burocracia pelo atraso. “Estou aguardando que a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) dê a autorização para a implantação. As licitações já foram feitas para a implantação, só falta a SPU aprovar”, disse. Segundo o secretário, o prefeito ACM Neto ainda nem decidiu que secretaria ficará responsável de fato pelos quiosques. “Estou aguardando o prefeito determinar para que secretaria vai ser conduzido. Provisoriamente, eu estou cuidando”, diz.

Apesar de não cumprir o primeiro prazo, Mendonça crê que as barracas vão fazer parte da Orla no verão de 2015. “A expectativa é a de que, em mais uma semana, a gente já tenha recebido a formalização. E aí é imediato, porque a licitação já foi feita e os locais, definidos. Em três meses, vamos estar com os primeiros funcionando. Daria tempo tranquilamente para o verão”, prometeu.

 
 
Lessa, jH e schin; entenda
 


A confusão da requalificação da Orla começou ainda em 2006, quando o então secretário de Serviços Públicos, Arnando Lessa — hoje PT, à época no PSDB — encabeçou um acordo com as cervejarias Ambev e Schincariol para o financiamento das novas barracas de praia. O Ministério Público do Estado da Bahia, porém, encontrou irregularidades no processo.

A ação do MP causou uma crise na gestão João Henrique, que acabou causando a demissão de Lessa.
Posteriormente, o juiz Carlos D’Ávila Teixeira ordenou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conduzisse o licenciamento das obras de reforma da Orla, retirando esta tarefa da Prefeitura. A medida, então, travou a requalificação planejada por João Henrique, o que culminou na demolição das barracas em 2010.

 

Notícias relacionadas