Sábado, 02 de julho de 2022

Cidade

"A poesia consegue alcançar espaços que discurso não consegue", diz escritor transgênero

Esteban Rodrigues é autor de dois livros, nos quais fala sobre processo de transição de gênero

"A poesia consegue alcançar espaços que discurso não consegue", diz escritor transgênero

Foto: Reprodução

Por: Adele Robichez no dia 22 de junho de 2022 às 18:47

O escritor transgênero Esteban Rodrigues falou, em entrevista ao Jornal da Cidade na Rádio Metropole, sobre os dois livros da sua autoria, nos quais fala sobre o processo de transição de gênero. Através de poesias, ele disse acreditar que o assunto consegue atingir mais espaços.

"Eu escrevia como hobbie, mas desde 2016, quando comecei a transição de gênero, comecei a colocar a literatura como meu papel profissional. Enquanto homem trans e educador social, é por meio da poesia que consigo me expressar e falar coisas que precisam de atenção, não só coisas ruins, nem só coisas boas. A sociedade tem um pouco de delicadeza e resistência ainda para compreendê-las, então a poesia consegue alcançar alguns espaços que só o discurso não consegue", expôs Esteban.

O escritor expilcou que a publicação do seu primeiro livro, "Sal a gosto", foi uma surpresa para ele, lançado em 2018. Na época, Esteban estava começando o processo de transição de gênero e escrevia sobre o ponto de vista de quem o via.

"Meu primeiro livro foi publicado em Brasília pq eu ainda não era assumido em Salvador e tinha receio de como a minha familia e meus amigos iriam receber isso. Algum amigo meu, que até hoje não sei quem foi, fez um compilado dos meus poemas e mandou para um edital. Quando falaram comigo, eu fiquei ‘que livro? não mandei nenhum’, mas era o que eu precisava nquele momento. Eram poemas do início da minha transição de gênero, então tinha um ponto de vista mais de como o outro me via, fala muito sobre o olhar de outro, como é ser um homem trans, negro, da periferia", diz.

Publicado em 2021, a sua segunda obra "Com mãos atadas e como quem pisa em ovos" revela uma maior maturidade, avalia Esteban. Desta vez, foi escrita com detalhes do seu próprio ponto de vista sobre si. 

"Tem mais maturidade enquanto pessoas transgênero: há uma diferença do início do transição para quando a gente está há mais tempo nessa transição. Ele fala mais especificamente de como eu me vejo agora, como eu consigo olhar para o meu corpo, como consegui descontruir essa ideia de que pessoas trans odeiam o próprio corpo e não se entendem com o corpo em que vieram. Eu consigo, hoje, me ver no corpo certo, enquanto homem", esclarece.

"A poesia consegue alcançar espaços que discurso não consegue", diz escritor transgênero - Metro 1