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Apagão de dados no setor de hotelaria dificulta compreensão do cenário em Salvador
Não há números exatos sobre a quantidade de empreendimentos em funcionamento e que fecharam recentemente na capital baiana

Foto: Tacio Moreira/Metropress
Em 2022, a Bahia foi o terceiro estado que mais apareceu na busca de usuários brasileiros sobre viagens, segundo levantamento do Google. O lugar segue como um dos mais desejados pelos turistas e recupera o interesse após o período de restrições mais severas da pandemia. No entanto, a situação do setor hoteleiro em sua capital, Salvador, é desconhecida.
Desde meados da década passada, alguns dos principais hotéis da orla vem sendo fechados. Apenas entre 2014 e 2019, 30 deixaram de funcionar, de acordo com a Associação Baiana da Indústria de Hotéis (ABIH). O número exato dos que seguem em funcionamento em 2023 não está disponível. O Metro1 pediu à ABIH um novo balanço, mas a associação não tem realizado o levantamento. A entidade presume que os números continuem os mesmos. Também não há números específicos sobre a quantidade de empreendimentos abertos. A falta de dados torna o cenário incerto.
Mesmo sem dados exatos, a diretora executiva da associação Renata Proserpio afirma que a maioria dos hotéis que fecharam na pandemia reabriram no final de 2020. "Mas a atividade ainda não voltou aos níveis anteriores. Altos preços de passagens aéreas e dificuldades na retomada do turismo internacional estão dentre os fatores que justificam essas dificuldades”, disse ao Metro1.
Um dos mais recentes a fechar as portas, o Hotel Oceânico, na Octávio Mangabeira, apresenta, desde 2021, placas de “aluga-se” em sua fachada. Não muito longe do empreendimento três estrelas, no mesmo ano em que os anúncios do seu aluguel começaram a ser feitos, o antigo Hotel Atlântico se transformou no Centro de Formação Profissional de Catadores do Norte e Nordeste. Na mesma avenida, o Hotel Belmar já não funciona desde 2016.
Imbróglios
Não foi só a orla das praias de Armação e Jardim de Alah que se transformou numa espécie de "cemitério de hóteis". A situação é parecida em outros pontos da cidade. No Rio Vermelho, o famoso Hotel Pestana está fechado há seis anos. O espaço do antigo empreendimento cinco estrelas tem um projeto em curso com previsão para ser entregue em 2024 pela Moura Dubeux. No entanto, o registro do novo imóvel é um mistério.
Em Ondina, a construtora pernambucana também comprou as antigas dependências do Salvador Praia Hotel, sem funcionamento desde 2009, e do Bahia Othon Palace, fechado em 2018. O primeiro, dará lugar ao residencial Undae Ocean, que, de acordo com a empresa, deve ser inaugurado em setembro deste ano. O novo empreendimento, porém, está em meio a uma batalha judicial que pode impedir sua abertura. Já a estrutura do espaço do Othon, continua o mesmo de quando o hotel funcionava.
Na Barra, em frente a um dos cartões postais do bairro, o Morro do Cristo, estão as ruínas do que, até 2014, era o San Marino Hotel & Suites. O local costumava servir de camarote a turistas nas passagens de trios durante o Carnaval e nas queimas de fogos de Ano Novo. Hoje, se tornou abrigo de ratos e insetos.
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