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Mulher é vítima de racismo em posto de gasolina de Salvador: "Odeio pretos"

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Mulher é vítima de racismo em posto de gasolina de Salvador: "Odeio pretos"

Advogado da vítima acompanhou Andresa na manhã deste domingo (7) à delegacia, onde um boletim de ocorrência foi registrado

Mulher é vítima de racismo em posto de gasolina de Salvador: "Odeio pretos"

Foto: Reprodução/Vídeo/Redes sociais

Por: Adele Robichez no dia 07 de maio de 2023 às 13:10

Atualizado: no dia 07 de maio de 2023 às 13:47

A designer de sobrancelhas Andresa Fonseca, de 28 anos, foi vítima de racismo em um posto de gasolina, em Salvador. A autônoma esperava o motorista que havia solicitado através de um aplicativo quando passou a ser atacada por uma mulher, que, entre diversas ofensas racistas, chegou a afirmar que "odeia pretos".

Segundo o advogado Tiago Melo, que é amigo da vítima e está à frente do caso, a situação aconteceu na tarde deste sábado (6), no posto de gasolina Menor Preço, na Avenida São Rafael. Na ocasião, Andresa gravou um vídeo - publicado posteriormente nas redes sociais.

No registro, uma mulher com o cabelo loiro, vestida com um casaco de estampa militar, aparece exigindo que Andresa saia do local onde estava sentada antes da sua chegada. Questionada, a agressora justifica: "Eu não gosto de gente escura que nem você". "Eu odeio preto, não suporto", diz, em outro momento.

A mulher se define, em seguida, como "caucasiana" e mostra a Andressa que o seu cabelo é "liso natural" (sic). O vídeo viralizou nas redes sociais, mas ainda não há indícios da identidade da agressora.

"Andresa chegou a ligar para a polícia enviar uma viatura, mas a polícia disse que só mandaria [a viatura] se tivesse tendo violência, agressão física. Isso prejudicou porque não conseguimos o flagrante", lamentou Melo, em entrevista ao Metro1.

Segundo o advogado, o vídeo registrou apenas uma parte das ofensas. "Ela xingou bem mais. Antes do vídeo, chamou de gorda, preta...", afirmou. "Andresa é preta retinta, da periferia, tem todos os estereótipos sensíveis a esse tipo de caso. Ela está péssima", revelou.

O Metro1 entrou em contato com Andresa, mas ela preferiu não se manifestar. De acordo com o advogado, "ela tem medo de chorar ao dar entrevistas".

Tiago Melo acompanhou Andresa na manhã deste domingo (7) à delegacia, onde um boletim de ocorrência (BO) foi registrado. "A gente está buscando justiça. Ainda que ela [a agressora] tenha algum problema, local de criminoso não é solto na sociedade, existem hospitais psiquiátricos judiciários", destacou o advogado.