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Obra em condomínio de alto padrão na Graça vira duelo judicial de luxo em Salvador

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Obra em condomínio de alto padrão na Graça vira duelo judicial de luxo em Salvador

Mansão Baía Azul acionou na Justiça o Largo da Vitória Square, que tem entre os sócios o dono do Hiperideal, o empresário João Gualberto

Obra em condomínio de alto padrão na Graça vira duelo judicial de luxo em Salvador

Foto: Reprodução

Por: Metro1 no dia 06 de março de 2026 às 17:15

Atualizado: no dia 06 de março de 2026 às 17:19

A construção de um empreendimento de alto padrão no chamado "Terreno da Graça" virou barraco de luxo com direito a disputa judicial e denúncia ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea). Reportagem publicada nesta sexta-feira pelo site Bahia Notícias, assinada pelos jornalistas Leonardo Almeida e Mauricio Leiro, revelou que o Largo da Vitória Square, condomínio premium que está sendo erguido no terreno pertencente à família Cunha Guedes, é alvo de processo movido pelo edifício vizinho, o Mansão Baía Azul, por invasão de área.

O Largo da Vitória, projetado para  abrigar três torres com vista para o mar, pertence a um fundo investidores que inclui o empresário João Gualberto, dono da rede Hiperideal e ex-prefeito de Mata de São João; o ex-prefeito ACM Neto, pré-candidato do União Brasil ao governo do estado; e o empresário Thiago Coelho, um dos herdeiros de Roberto Coelho, que era dono da TV Aratu e de negócios nos mais variados segmentos. Também figuram na sociedade a família Cunha Guedes e a construtora Costa Andrade, responsável pelas obras.
 
De acordo com a matéria, as obras do Largo da Vitória Square preveem "invadir" o terreno que pertence ao  condomínio vizinho, erguido há cerca de meio século. Os moradores do Baía Azul, ainda conforme a reportagem, contestam o ingresso do empreendimento em seu terreno para realizar escavação, demolição e reconstrução de um muro que delimita as propriedades. Contudo, a estrutura seria na verdade, a contenção de uma encosta em concreto armado com dez metros de altura. 

À Justiça, o Baía Azul alega que a estrutura, construída há décadas, seria fundamental para a estabilidade da garagem e das áreas comuns do edifício e que qualquer intervenção "sem estudo técnico prévio pode causar danos estruturais irreversíveis e colocar em risco a vida dos moradores". Para tanto, pedem a suspensão das obras. Já o Largo da Vitória Square garantiu que o projeto foi aprovado pelos órgãos municipais e que sua eventual paralisação geraria perdas financeiras significativas.

O duelo judicial tramita na 4ª Vara Cível de Salvador. Em outubro de 2025, afirmou o Bahia Notícias, o juiz George James Costa Vieira autorizou o ingresso da incorporadora no condomínio, condicionando a medida ao depósito de um caução de R$ 50 mil para cobrir eventuais danos. Em recurso, o Bahia Azul conseguiu suspender a obra. Contudo, a medida caiu após decisão monocrática do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ) ratificando a autorização para o Largo da Vitória Square.

Confronto vai parar na Sedur e no Crea
Os advogados da Mansão Bahia Azul também denunciaram o caso à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur),órgão que liberou o alvará para o Largo da Vitória Square. No mesmo diapasão, solicitaram que fiscais da Sedur fossem realizar uma vistoria na obra, com base em parecer técnico de “obra irregular”, feito pelo engenheiro Vicente Antonio da Silva, que é síndico do Baía Azul.

Os vizinhos do Largo da Vitória Square ingressaram com representação no Crea, na tentativa de embargar a obra. “Falha de informações adequadas do seu entorno, possivelmente por falta de um cadastro técnico rigoroso, a concepção do terreno e das construções existentes nos limites do Ed Baía Azul, foi representado ERRONEAMENTE no projeto arquitetônico, mostrando um terreno totalmente diferente do real existente, há aproximadamente 50 anos”, diz a denúncia ao Crea, reproduzida pelo Bahia Notícias.

O portal Metro1 tentou contato com o Largo da Vitória Square e com o condomínio Baía Azul, mas não obteve sucesso até o momento.