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Documentos apontam papel da Gerdau na contaminação em São Tomé de Paripe

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Documentos apontam papel da Gerdau na contaminação em São Tomé de Paripe

Operado a partir de 2022 pela Intermarítima, Terminal Itapuã não utiliza cobre, material responsável pela recente poluição ambiental na mais badalada praia do Subúrbio de Salvador

Documentos apontam papel da Gerdau na contaminação em São Tomé de Paripe

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 25 de maio de 2026 às 13:47

Documentos encaminhados em 2021 ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) pela Gerdau apontam que a própria empresa tinha conhecimento prévio de contaminações antigas da praia de São Tomé de Paripe, geradas a partir da operação exclusiva da companhia no Terminal Marítimo de Granéis (TMG). O material, de acordo com processos administrativos aos quais o Metro1 teve acesso, já havia sido analisado tanto pelo órgão ambiental quanto pela promotoria especializada em meio ambiente em Salvador.

Segundo informações obtidas junto a pessoas que acompanham o caso, a Terminal Itapuã teria assumido a operação  do TMG acreditando que todas as intervenções ambientais necessárias para sanar a contaminação já tinham sido executadas. No entanto, o problema voltou a aparecer nos últimos meses.

A contaminação da praia de São Tomé de Paripe, a mais frequentada do Subúrbio de Salvador,  segue sem solução definitiva após três meses do surgimento de manchas azuis e amarelas na faixa de areia e da morte de animais marinhos na região. Enquanto moradores, pescadores, marisqueiras e comerciantes acumulam prejuízos, cresce a pressão para que os órgãos ambientais apontem oficialmente os responsáveis e determinem medidas de reparação ambiental e indenização às famílias afetadas.

Desde março, quando o problema ganhou repercussão pública, o Inema e outros órgãos ambientais vêm realizando análises e investigações para identificar a origem da contaminação. Laudos já divulgados apontaram a presença de cobre em amostras coletadas na praia e também em organismos de animais encontrados mortos na região.

As suspeitas recaem sobre o terminal localizado em frente à praia, área que até 2022 era operada pela Gerdau, empresa que trabalhava com minério de cobre no local. Atualmente, a operação é realizada pela Terminal Itapuã, que atua no setor de fertilizantes.

Estudos prévios indicam contaminação antiga
Outro fator que chama atenção é o fato de o terminal atualmente não operar com cobre, justamente o elemento identificado nas análises feitas na praia e em animais marinhos da região. Técnicos que acompanham o caso trabalham com a hipótese de que resíduos antigos teriam permanecido no subsolo e sido carregados pelo lençol freático até a faixa de areia em frente ao terminal.

Mesmo após a interrupção das atividades da empresa que opera o terminal — determinada pelo Inema ainda em março — moradores afirmam que novos registros de contaminação continuam sendo observados na praia. Também chama atenção a situação patrimonial da área. 

Embora operado por outra empresa, o terminal continuaria pertencendo à Gerdau, segundo documentos consultados por pessoas envolvidas nas investigações. A companhia, entretanto, divulgou recentemente nota negando responsabilidade pela contaminação.

Laudo desmonta justificativas da Gerdau   
No comunicado, a empresa afirmou que vendeu o terminal para a Intermarítima e declarou não haver comprovação de contaminação por cobre na área. As informações, porém, divergem de laudos ambientais já divulgados e de documentos anteriormente encaminhados ao Inema pela própria companhia.

Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apontou a presença de altas concentrações de cobre em mariscos encontrados mortos na região.

Moradores e trabalhadores da comunidade cobram rapidez na conclusão das investigações e exigem providências urgentes para recuperação ambiental da praia, além de apoio financeiro às famílias que dependem diretamente da pesca, da mariscagem e do comércio local.

Enquanto o impasse continua, a praia de São Tomé de Paripe permanece praticamente vazia, afetando a economia local e impedindo o uso pleno de uma das áreas mais tradicionais da orla de Salvador.