Cidade

Caso Anchieta: colégios precisam agir contra assédio de professores

A denúncia de uma relação entre uma aluna de 14 anos e um professor do Colégio Anchieta, no bairro da Pituba, em Salvador, chocou Salvador nesta semana. Segundo informações obtidas pelo Jornal da Metrópole [Leia mais...]

[Imagem not found]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 28 de Julho de 2016 ⋅ 06:20

A denúncia de uma relação entre uma aluna de 14 anos e um professor do Colégio Anchieta, no bairro da Pituba, em Salvador, chocou Salvador nesta semana. Segundo informações obtidas pelo Jornal da Metrópole, a relação teria começado quando a adolescente tinha apenas 12 anos e teria vindo à tona após os pais da menina descobrirem e denunciarem o professor à polícia. 

De acordo com o artigo 217 do Código Penal, conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menores de 14 anos é considerado crime de estupro de vulnerável. Após a realização da denúncia na Delegacia Especial de Repressão aos Crimes contra a Criança e o Adolescente (Dercca), o Ministério Público da Bahia (MP-BA) investiga o caso. 

Pra piorar, relatos de ex-estudantes à Metrópole mostram que os assédios são mais comuns do que parecem nas escolas privadas da capital baiana. 

Anchieta opta pelo silêncio
Diante da divulgação do caso, o Colégio Anchieta prefere adotar o silêncio e não comentar a denúncia. Por meio da sua assessoria de imprensa, a instituição se limitou a dizer que “não fala sobre o assunto”.

Apesar da negativa, a Metrópole apurou que o professor deixou de lecionar no Anchieta semanas antes do recesso de São João, quando pediu desligamento da empresa. A adolescente,  hoje com 14 anos, foi retirada da escola.
O caso corre em segredo de Justiça, o que impede a divulgação de informações pelo MP. 

Ex-aluna relata assédio frequente de professor em escola de Salvador
Na época com 17 anos e aluna do 3ª ano do ensino médio em uma escola de classe alta de Salvador, Clara Lima* ainda lembra com raiva das constantes investidas do professor de história.

“Ele tava falando sobre cultura grega, estereótipos de beleza. Aí ele apontou para mim e pediu para que eu subisse no palco para mostrar como era feita a simetria do corpo da mulher. Eu disse que não ia e ele ficou insistindo muito, até que desistiu. E esse foi o primeiro [assédio] de muitos”, conta a estudante, que lembra ainda outros durante o ensino médio e o cursinho preparatório para o vestibular. “Fiquei super sem graça, foi horrível”, recorda. 

“Eu me encantei pelo papo e acabei ficando”
Juliana Gusmão* tinha “14, 15 anos” quando foi assediada pela primeira vez pelo professor num grande colégio da Pituba. “Era 2001. Eu tava voltando do intervalo, ele me parou e me disse que eu era muito linda e que queria ser meu professor”, conta a hoje advogada.

Um ano depois, isso de fato aconteceu. “Eu me encantei pelo papo, pelas histórias que ele contava, e acabei ficando [com o professor]. Mas minha família soube, não gostou e me tirou do colégio. Parei de sair com ele. Hoje sei que foi a melhor coisa”, lembra.

Em geral, pais de alunas preferem abafar casos
Coordenador do Centro de Defesa à Criança e ao Adolescente (Cedeca), Waldemar Oliveira explica que os casos envolvendo famílias de classe média costumam ser resolvidos “intramuros”. “Vez ou outra, chega a nosso conhecimento ou os pais da vítima procuram as autoridades competentes”, explica. 

Sindicato : “estranheza” sobre estupro
O Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA) afirmou que tomou conhecimento da denúncia, mas que ainda não foi procurado pelo professor suspeito de cometer o estupro de vulnerável. Diretor jurídico do Sinpro, Francisco Pedro de Oliveira ressalta que, apesar de não se tratar de uma questão trabalhista, o sindicato vai acompanhar o caso. “Como ainda não fomos provocados, nós não entramos, até então, em contato com o professor. Mas o procuraremos”, afirma o sindicalista. 

Segundo Oliveira, que tratou com desdém a hipótese de o professor ser indiciado por estupro de vulnerável, caso seja necessário, o sindicato irá atuar em defesa do profissional, desde que envolva “uma questão trabalhista” “A Justiça existe, então que se comprovem os fatos. Me causa estranheza essa ideia de estupro. Eu não vi essa informação em lugar nenhum”, questiona.

Notícias relacionadas