Cidade

Inaugurado com muita propaganda em 2015, Mercado de Cajazeiras é um fracasso

No dia 28 de novembro de 2015, o Mercado Municipal de Cajazeiras abriu as portas “parecendo um shopping center”, segundo definição da Prefeitura de Salvador. Oito meses depois, o problema é justamente esse [Leia mais...]

[Imagem not found]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 11 de Agosto de 2016 ⋅ 06:00

No dia 28 de novembro de 2015, o Mercado Municipal de Cajazeiras abriu as portas “parecendo um shopping center”, segundo definição da Prefeitura de Salvador. Oito meses depois, o problema é justamente esse.

Na última terça (9), o Jornal da Metrópole esteve no local e constatou: parece que a gestão de ACM Neto esqueceu de consultar a população antes de levar os feirantes da Rótula da Feirinha para um shopping. O resultado disso? Dos 133 boxes disponibilizados, grande parte está às moscas e comerciantes amargam prejuízos. Além da falta de fregueses, os comerciantes que tentam permanecer no mercado reclamam da ausência de segurança, de infraestrutura básica para o comércio de frutas e verduras e cobram ainda o cumprimento de promessas feitas pela Secretaria de Ordem Pública (Semop).

“Frutas e verduras estragam”
Com grande parte dos boxes fechados, movimento mesmo no Mercado de Cajazeiras só o de vendedores como Maria Oliveira, que aguardam, com poucas frutas e legumes nas prateleiras, fregueses que parecem nunca chegar. Trabalhando no ramo há décadas, Maria explica que o espaço não é adequado para a comercialização dos produtos. 

“Frutas estragam, verduras estragam. Você vê que aqui é abafado, quente, não tem verdura que dure. Isso pode parecer de tudo, menos uma feira. A gente só faz perder mercadoria”, conta, lembrando que o marido foi um dos fundadores da Feira da Rótula, onde faturavam muito mais. “Não tem comparação. Aqui, a gente trabalha para ganhar o almoço e o transporte. Lá a gente fazia dinheiro”, recorda.

“Aqui, eu não fecho o dia nem com R$ 50”
Antônia da Soledade, 47, cresceu vendo o pai trabalhar na Rótula da Feirinha e criou o filho com o que ganhava com o comércio informal de frutas e legumes. Mas, se até o ano passado o padrão de vida permitia manter o filho na escola particular, agora tudo mudou. “Fechava o dia com até R$ 2 mil. Aqui eu não fecho nem com R$ 50. É difícil tirar o dinheiro do almoço. Ninguém aqui tem rendimento de nada”, lamenta.

Até nova via atrapalhou
Segundo Sérgio Gomes, que vende eletrônicos, até a ligação Cajazeiras-BR-324 — inaugurada em junho — atrapalha a chegada do público, o que explica as péssimas vendas em todos os segmentos do mercado. 
“É claro que melhorou o transporte, mas para o mercado é ruim porque eles não puseram nem um semáforo. A mãe de família não vem comprar porque não tem como atravessar. Outro dia, quase fui atropelado”, conta.

Rosemma Maluf descumpriu promessas
Os lojistas atribuem parte do fracasso do mercado ao descumprimento de promessas feitas pela secretária de Ordem Pública, Rosemma Maluf. Segundo eles, nada saiu do papel. 

“Quando viemos pra cá, tivemos promessas de que iríamos ter o boxe, uma linha de crédito, uma assessoria do Sebrae para nos dar o curso de como gerir o comércio, mas, até agora, nada”, afirma o feirante Nilton da Silva, lembrando que a secretária prometeu também trazer serviços da Prefeitura para movimentar o espaço. 

“Virou um pesadelo”
Após trabalhar mais de 13 anos na antiga feira, Nilton da Silva procura, ainda em vão, um jeito de retomar o antigo faturamento. “Isso aqui virou um pesadelo para nós. Era de onde eu tirava meu sustento”, conta.
Ele afirma também que o formato de shopping não se encaixa ao ‘negócio feira’. “A gente coloca uma fruta e em dois dias estraga. Tá muito bonito, muito arrumado, mas não para uma feira livre. Pelo que conheco de feira, esse modelo não funciona em canto  nenhum”, reclama.

É assim que resolve? Semop vai tirar boxes de quem tenta sobreviver 
Com os comerciantes voltando para a antiga feira para sobreviver, a Semop decidiu tomar de volta os boxes dos feirantes.  Segundo a secretária Rosemma Maluf, a tentativa desesperada dos comerciantes de voltar a ter clientela “desestabiliza o trabalho de ordenamento”. “Eles transformam os boxes em depósito e vão para a Rótula, tentando desestabilizar o trabalho de ordenamento. Não existe mais nenhuma possibilidade de a Rótula ser ocupada com o comércio informal”, disse Maluf à Metrópole. 

Segundo a secretária, três reuniões foram feitas com o grupo. “Tenho segurança que estamos no caminho certo. O mercado é digno, tem uma estrutura de qualidade. Não vamos retornar ao passado”, afirmou. 
No presente, quem trabalha no fracassado mercado sofre também com a segurança. “Roubaram cinco boxes no primeiro arrombamento. Tiveram dois roubos. A gente fica à mercê”, contou Jutacira Souza, cozinheira. Os feirantes também reclamam da falta de um simples portão na escada que dá para o fundo do mercado.

“A população excomungou este mercado. Estou devendo a agiota”
Carlos Alberto Assis é um dos que vão perder a permissão de atuar no local. Endividado, ele alega que a única solução foi retornar para a antiga feira.

“Estou devendo agiota, sendo ameaçado de morte. Pensei que iam fazer uma feira livre para a gente trabalhar, mas fizeram um shopping e muita gente não está gostando. A população excomungou esse mercado”, reclamou.     

“Saímos da rótula para passar necessidade”
João Barbosa está na mesma situação e pode perder o seu boxe a qualquer momento após retornar com a banca para a feira irregular. “Aqui não vende. Desde que abri, já perdi R$ 3,5 mil. A gente joga mercadoria fora. Tá tudo apodrecendo. Tenho 25 anos trabalhando na Rótula, e saímos de lá para passar necessidade. Tudo que eu boto jogo fora, não estão deixando a gente trabalhar. E agora querem tomar o boxe”, lamenta o comerciante e morador do bairro.

Notícias relacionadas

[Universidade Católica de Salvador completa 57 anos ]
Cidade

Universidade Católica de Salvador completa 57 anos

Por Metro1 no dia 18 de Outubro de 2018 ⋅ 09:55 em Cidade

A instituição foi inaugurada pelo 1º Grão Chanceler, D. Augusto Álvaro Cardeal da Silva e teve como primeiro reitor o Monsenhor Eugênio de Andrade Veiga (1962-1979)