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Malcuidado, Pelourinho está vazio, sujo e sem segurança

Um dos principais pontos turísticos da capital baiana, o Pelourinho está esquecido pelo Poder Público. Sujo e malcuidado, sem segurança ou mobilidade, a região que um dia foi a 'pérola de Salvador' hoje se encontra vazia tanto de turistas como de comerciantes, que vêm fechando seus negócios por conta do abandono e da vizinhança perigosa. [Leia mais...]

Malcuidado, Pelourinho está vazio, sujo e sem segurança

Foto: André Teixeira / Metropress

Por: Laura Lorenzo no dia 22 de dezembro de 2016 às 16:55

Um dos principais pontos turísticos da capital baiana, o Pelourinho está esquecido pelo Poder Público. Sujo e malcuidado, sem segurança ou mobilidade, a região que um dia foi a 'pérola de Salvador' hoje se encontra vazia tanto de turistas como de comerciantes, que vêm fechando seus negócios por conta do abandono e da vizinhança perigosa.

Comerciante da região desde 1987 e hoje dono de dois restaurantes e uma pequena joalheria no Pelourinho, Roberto Simon, de 60 anos, contou que já faz dez anos que o ponto turístico está malcuidado. Segundo ele, que possuía uma grande joalheria no Terreiro de Jesus — que fechou e foi transformada em restaurante justamente por conta da "inibição de negócios" —, uma pesquisa feita pelos comerciantes do Centro Histórico apontou três grandes causas para o esvaziamento do Pelourinho: a segurança, o assédio e a mobilidade. 

Colega de Simon no comércio do Pelourinho, Luiz Folgueira, de 58 anos, relatou ao Metro1 reclamações parecidas. "Existe uma sensação de insegurança por parte das pessoas", contou Luiz, que é dono de um ateliê.

Segurança

A segurança do Centro Histórico é de responsabilidade do 18º Batalhão da Polícia Militar, mas o número de agentes, segundo Simon, não é suficiente para impedir crimes na área do Pelourinho. Ele conta que a maioria dos incidentes de violência ou roubo na região ocorre à noite ou em feriados, horários que,  o comerciante, são acompanhados por PMs de outras unidades, que não conhecem a área, os moradores e os 'meliantes' que atuam no Pelourinho. 

No último dia 12, a Prefeitura lançou o Programa Revitalizar, que pretende requalificar o Centro Antigo de Salvador. Na ocasião, o presidente da Associação Comercial da Bahia, Luís Fernando Studart, alegou que a situação do Pelourinho será resolvida. "O grande desafio é nós garantirmos vida, diurna e noturna, de segunda a segunda. O Revitalizar enxerga isto, porque abrange tanto imóveis residenciais quanto aqueles de utilização mista", alegou o presidente. 

Assédio

Outro aspecto complicado no Pelourinho é o assédio de moradores de rua a turistas e visitantes. O Metro1 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Promoção Social, Esporte, e Combate à Pobreza (Semps), que alegou que os moradores de rua da região do Centro Histórico são continuamente monitorados. Ainda de acordo com o órgão, a maioria das pessoas em situação de rua possui referências familiares, mas resiste a qualquer tipo de aproximação da equipe de abordagem por conta do uso abusivo de substâncias psicoativas. 

"A dificuldade na região é amplificada por se tratar de uma área turística, com fácil acesso às substâncias psicoativas, que, consequentemente, também aumentam a resistência ao suporte oferecido pela equipe de abordagem. Uma equipe permanente da Semps, composta por três educadores sociais e uma técnica de referência, dão suporte à região do Pelourinho, além do trabalho das equipes de abordagem", afirmou a Semps.

Existe ainda uma unidade do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) na antiga Faculdade de Medicina, no Pelourinho. Contudo, de acordo com os comerciantes da região, o Caps não é suficiente para resolver o problema.