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Jornalista comenta autobiografia: "Cresci sem poder falar nada"

A escritora e jornalista Symona Grooper falou sobre sua autobiografia "A Menina que Foi Vento - Memórias de Uma Imigrante", em entrevista à Rádio Metrópole, na tarde desta segunda-feira (27). [Leia mais...]

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Foto : Divulgação

Por Matheus Morais no dia 27 de Março de 2017 ⋅ 12:30

A escritora e jornalista Symona Grooper falou sobre sua autobiografia "A Menina que Foi Vento - Memórias de Uma Imigrante", em entrevista à Rádio Metrópole, na tarde desta segunda-feira (27). No livro, ela conta como saiu da Romênia e foi parar em Israel, com a família, em 1950. "Eu nasci na Romênia e, com 5 anos, minha família teve que deixar o país por causa do regime comunista, porque meu pai era considerado um ex-burguês. O governo só permitia a saída para Israel, não podíamos levar joias, nada, levamos 40 quilos de bagagem. Naquele tempo, os comunistas ainda não exterminavam as pessoas, mas depois o [Josef] Stalin mandou eliminar as pessoas. O que o regime comunista fez foi a delação, no nosso apartamento foi colocado um casal para morar com a gente, que nós não conhecíamos, a gente não podia falar nada. Eu cresci sem poder falar nada", relembrou. 

"Eu não sei em que rua eu morava, eu me lembro do casal dentro de casa. Nós saimos e fomos para Israel, isso em 1950, Israel era uma estado novíssimo. Tinha milhares e milhares de refugiados, havia um problema sério de habitação, passamos a morar numa tenda em cima da areia. Foi uma mudança de vida drástica para os meus pais. Me lembro de minha mãe mandando a gente pegar pedras na vizinhança para a tenda não voar. A gente fazia fila para receber um prato de comida, as crianças recebiam um pedaço de chocolate", completou. 

Grooper lembrou ainda como veio para o Brasil. "A gente passou quatro anos em Israel, depois da tenda pequena, fomos para uma tenda maior, depois fomos para uma casa, depois fomos para um conjunto habitacional de paredes de tijolos. Eu fiz quatro anos de colégio em Israel, falando e escrevendo perfeitamente hebraico. No caminho para o Brasil meu pai me ensinou o alfabeto latino. Meu pai tinha um irmão que morava no Rio de Janeiro, ele tinha uma farmácia no Brasil e quis trazer a família. Passei minha vida toda no Rio, até me casar e me mudar para Salvador", pontuou. 

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