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Cesta do Povo aguarda privatização com prateleiras vazias e poucos clientes

ão é preciso citar muitos exemplos para deixar claro que o tempo áureo da Cesta do Povo ficou no passado. A dificuldade de encontrar alguém que ainda compre os produtos comercializados pela única rede de supermercados administrada pelo Estado já diz muito sobre a situação. Ivana Casais é uma dos poucos clientes que aparecem por lá [Leia mais...]

Cesta do Povo aguarda privatização com prateleiras vazias e poucos clientes

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Por: Bárbara Silveira no dia 13 de julho de 2017 às 14:50

Não é preciso citar muitos exemplos para deixar claro que o tempo áureo da Cesta do Povo ficou no passado. A dificuldade de encontrar alguém que ainda compre os produtos comercializados pela única rede de supermercados administrada pelo Estado já diz muito sobre a situação. Ivana Casais é uma dos poucos clientes que aparecem por lá. “A Cesta do Povo só falta fechar. Fui lá e as prateleiras estavam vazias, pouca mercadoria”, conta.

E não é só para o consumidor que a Cesta do Povo deixou de valer a pena. A Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra o espaço, vem acumulando prejuízo ano após ano. O balanço de desempenho financeiro divulgado pela empresa mostrou que, só em 2015, o negativo foi de R$ 158,1 milhões, valor seis vezes maior do que o computado no ano anterior. E em 2016 o rombo bateu R$ 155 milhões. A queda foi acentuada pela redução de oito vezes no faturamento em relação ao ano anterior, passando de R$ 520 milhões para R$ 68,5 milhões.

Diante de tanto prejuízo, o estado já tentou, por diversas vezes, se desfazer da Cesta do Povo, mas nenhuma empresa ainda se mostrou interessada em assumir o problema.

“Não temos a cesta básica e nem os itens”
Em 2014, a Ebal fazia questão de anunciar que a cesta básica vendida na Cesta do Povo era até 18% mais barata que em outros estabelecimentos comerciais da Bahia. O problema é que três anos depois, o comparativo se tornou algo impossível, já que nem mesmo a cesta é encontrada nas lojas. “Não temos a cesta básica fechada que a gente vendia antigamente e nem temos todos os itens que formam a cesta básica. Não tem em nenhuma loja, temos pouquinhos itens aqui”, disse uma funcionária de uma das lojas de Salvador, ouvida pela Metrópole. No final de 2016, a Ebal chegou a afirmar que o leilão da empresa estava previsto para o primeiro trimestre de 2017, mas nada aconteceu.

“160 lojas fechadas”
O grande número de demissões e o fechamento de lojas fizeram com que os funcionários da Cesta do Povo se unissem para criar a Associação Baiana dos Trabalhadores da Cesta do Povo. Um levantamento feito pela entidade presidida por Francis Tavares, ex-funcionário concursado e um dos demitidos, mostrou que 160 lojas foram fechadas na Bahia desde 2015.

“Já temos 1.500 empregados públicos demitidos e mais de 150 lojas fechadas. Até dezembro de 2015, tínhamos 243 lojas na Bahia. Hoje só temos 83. 160 lojas foram fechadas. Em Salvador são só 19 lojas, eram 43 até o final de 2015”, afirma.

“Será privatizada”, garante governo
O governo do estado voltou a garantir que a Cesta do Povo será privatizada. “A intenção do governo é preservar o maior número possível de empregos”, disse em nota enviada à Metrópole. Por enquanto, porém, os funcionários ainda temem perder o emprego. “Manter o posto de trabalho não implica que vai manter o funcionário. Ou seja, o posto de trabalho é esse que você ocupa. Mas você pode ser substituído”, diz o presidente da Associação Baiana dos Trabalhadores da Cesta do Povo.

De acordo com ele, o Estado estaria adotando a chamada demissão escalonada. “A estratégia é demitir aos poucos. Em dezembro fecharam 20 [lojas], em janeiro mais 10, março, 5”, disse, ressaltando que o Ministério Público do Trabalho acompanha o caso e já realizou algumas audiências.