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Internacional deixa passageiros do ferry sem colete para evitar “escândalo”

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 19 de Outubro de 2017 ⋅ 08:26

Enquanto na teoria a Internacional Travessias, empresa que administra o sistema ferryboat, faz questão de frisar seu comprometimento com a “qualidade e segurança”, na prática parece não ser bem assim que as coisas funcionam. No último feriado, a administradora Bárbara Lima embarcou no ferry Agenor Gordilho acompanhada do marido e da filha de 2 anos em direção à ilha de Itaparica. Por segurança, a família logo procurou os coletes salva-vidas, mas foram impedidos de usar o item.

“O primeiro funcionário nos informou onde os coletes ficavam e nós pegamos. Eles ficam dentro de caixas trancadas. Só que outro funcionário do ferry passou e pegou os coletes de volta. Ele disse que estávamos ‘incitando o pânico’ e que coletes eram para o caso de necessidade, de acidente, que não era direito do passageiro usar preventivamente”, contou. Com a negativa da família em devolver o material, o funcionário, então, permitiu o uso para “evitar escândalo” — o pior é que toda ação teve o aval da empresa, que adota a negativa como prática.

Internacional não acha “necessário”...
Como se não bastasse, na volta para Salvador a família encontrou situação ainda pior no ferry Dorival Caymmi, onde os funcionários da Internacional se recusaram a informar onde o colete salva-vidas era guardado. Procurada pela Metrópole, a empresa afirmou que não “vê necessidade” no uso preventivo “para evitar situação de pânico e/ou tumulto desnecessário”. “Numa eventual emergência, o comandante informará no sistema de som e a tripulação estará preparada para auxiliar os passageiros”, disse, em nota.

...Mas a capitania exige
Mas não é assim que a Capitania dos Portos, responsável pela fiscalização dos itens de segurança de navegação, vê a situação. De acordo com o comandante Flávio Almeida, do 2º Distrito Naval, a negativa da Internacional em fornecer o colete salva-vidas é errada.
“Se o usuário entra na embarcação e pede o colete, a empresa tem que dar. Ele não é obrigado a usar, é diferente. É o que está previsto na norma”, esclareceu. O comandante ressaltou que, após a formalização da queixa, a empresa será multada por não atender as normas de segurança.

Agerba garante que irá investigar

Apesar de ser responsável por fiscalizar o serviço prestado pela Internacional, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) afirmou apenas que irá apurar a situação.

A empresa negou a denúncia de que os coletes ficam praticamente escondidos. “Todos os equipamentos de salvatagem e segurança estão dispostos em locais visíveis, devidamente sinalizados, de acordo com o Plano de Segurança de cada embarcação”, disse. Mas para a administradora Bárbara Lima, a sensação que fica é a de que um novo desastre, como o que matou 19 passageiros da lancha Cavalo Marinho I, pode acontecer a qualquer momento. “Em um naufrágio, daqui que as pessoas procurem, achem e consigam vestir os coletes, muitos corpos já estarão boiando”, desabafou.

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