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Maria da Penha: Salvador tem 637 mulheres agredidas em acompanhamento, diz major

A comandante da Operação Ronda Maria da Penha, major Denice Santiago, esteve na Rádio Metrópole, na manhã desta segunda-feira (23), e conversou com José Eduardo sobre os 11 anos da Lei Maria da Penha.[Leia mais...]

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Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Gabriel Nascimento e Matheus Morais no dia 23 de Outubro de 2017 ⋅ 08:31

A comandante da Operação Ronda Maria da Penha, major Denice Santiago, esteve na Rádio Metrópole, na manhã desta segunda-feira (23), e conversou com José Eduardo sobre os 11 anos da Lei Maria da Penha. Questionada sobre o registro de agressões a mulher, a major destacou a falta de parâmetros para que o aumento ou a diminuição dos casos seja divulgado.

"Como a gente pode pensar em redução, se a gente não tem parâmetro para saber? Falar em redução hoje é minimizar muito o problema. É trazer esse problema para um número que talvez não retrate a verdade. Temos um assunto que não era muito discutido, então, como é que hoje eu posso chegar e dizer se elevou? Acredito que a Lei Maria da Penha trouxe visibilidade a um problema social enorme", declarou.

A major sinalizou ainda que "não existe um perfil de lugar para a violência doméstica". "Nós temos mulheres atendidas dos bairros do Horto Florestal, Vitória, Graça, mas também Cidade de Plástico. As mulheres de classe alta tem mais a perder. Historicamente tem o legado de mãe. A mãe da vítima insiste que ela retire a queixa, argumentando que vai manchar a relação. Existe a imposição de se manter casada", explicou.

Ainda segundo a major, Salvador tem 637 mulheres com acompanhamento. "Nós assistimos o dia a dia para que elas não sejam agredidas novamente. Dessas mulheres, 79% são responsáveis pelo sustento de suas casas. Existe uma mística de que a mulher se prende a um relacionamento abusivo pelo sustento financeiro. Isso não é prioritário", acrescentou.

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