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Jolivaldo Freitas: Filhos da Pauta, again

Depois de dezenas de ano voltei a estar no “Filhos da Pauta”. Desta vez esquentando para entrar no Furdunço. Parecia um reencontro com aquele que foi o primeiro bloco com este nome que surgiu no Brasil e hoje tem “Filhos da Pauta” em todo lugar do país. Vi até no Piauí. [Leia mais...]

[Jolivaldo Freitas: Filhos da Pauta, again]
Foto : Divulgação

Por Jolivaldo Freitas no dia 07 de Fevereiro de 2018 ⋅ 13:00

Nem pensava em sair de casa; mormaço, carros, preguiça, buzus, bêbados, chatos, estacionamento, flanelinha, Transalvador, Uber. Esqueci que chamei o Uber e fui de carro – estou devendo o chamado ao porteiro do meu prédio –, e não me arrependo.

No Bagacinho perto da Marques de Caravelas, na Barra, já cheguei dando de cara com um grupo alegre, solto, pré-etílico, pós-Fuzuê, muito mais pré-carnaval e um cheiro bom de feijoada; e os eflúvios da cachaça. O som do minimalíssimo e muito competente trio elétrico do DJ Moisés.

Depois de dezenas de ano voltei a estar no “Filhos da Pauta”. Desta vez esquentando para entrar no Furdunço. Parecia um reencontro com aquele que foi o primeiro bloco com este nome que surgiu no Brasil e hoje tem “Filhos da Pauta” em todo lugar do país. Vi até no Piauí. A vantagem agora do bloco, neste caso News, é que os e as colegas jornalistas estão mais soltos, ligados ao riso, à pantomina e tome cachaça, e tome cerveja e tome Àttoxxa e nem sei se escreve assim, mas não vou pesquisar nem perguntar. Bumbum!

Mas não pense que se trata de um bloco organizado. Nem imagine que é um grupo imenso. Coisa de menos de seis dezenas de jornalistas e agregados. De redação daquelas mais jurássicas só eu, convidado por Marcela Souza, e Jaqueline Bonate que decidiram, por estalo de Vieira, botar o bloquinho na rua e já fui me integrando, que nada melhor competentes novíssimas e novíssimos colegas, meninas e meninos esfuziantes, alegres, entregues a Baco e Momo que ninguém é de ferro e a carne é fraca e carnivale. Pasme. Não se falou em redação, pauta, produção, em trabalho e já me ganhou. Essa nova geração é danada de sabida. Sabe dividir as coisas. Que tiro foi esse?

Foi meio parecido assim que o velho “Filhos da Pauta” surgiu nos anos 1970, da vontade de uns comunistas malucos, uns bebuns inveterados, uns intelectuais pirados e uns artistas mais loucos ainda que formavam o Dream Team do jornalismo baiano à época, da Tribuna da Bahia, onde se misturava genialidade com cachaça, política com momices, pecado com impressora, safadeza com Remingtons e Letteras. A mortalha – sim era tempo de mortalhas – desenhada pelo genial Lage, cartunista muito premiado do jornal.

O velho “Filhos da Pauta” concentrava nas imediações do Grande Hotel da Bahia, no Campo Grande, e nem lembro o dia que saía, mas os jornalistas já saiam quentes dando uma passada antes no Bar de Setenta, na Djalma Dutra, defronte ao prédio do Tribuna da Bahia, onde se pendurava a conta. O fiado pagava-se na Quarta de Cinzas se alguém lembrasse de cobrar. Nada tão organizado como foi o de hoje. O antigo concentrava e quando saía metade já ficava nos primeiros metros e a outra metade dissolvia pelo caminho como essência de rosas no éter, no álcool.

O “Filhos da Pauta – News” é tão lúdico quanto. Quanto riso. Quanta alegria. Mas, “Não é Não”, está pensando o quê? O minimalíssimo trio com seu DJ não implica mais em instrumentos de sopro. Encontrei amigos como Diógenes, Darino Sena, Fernanda Gama, Itacília Lobo e conheci gente nova que sabe levar a vida não na flauta, mas em qualquer ritmo e, como não sei o nome de todos que estavam por lá, sei de Alexandre Lyrio, Alessandra Nacif, Cristiane Bicelli, Valana Gualuz, minha colega escritora, Ary Santana, Éverton Santos e outros que não me apresentei e mais alguns que não lembro por causa da Caipirinha. Quem organizou a feijoada com abadá e tudo foram Marcela, Jaqueline, Paulo Maneira e Ane Gordiano.

Acho que se trata de um renascimento e o povo que organizou para sair pelo segundo carnaval consecutivo vai aprontar para que ano que vem aumente o número de participantes e quem sabe, possa receber quem sente saudade de um “Filhos da Pauta” que era a essência do que se pode chamar de esbórnia, um nome de bloco que – pela inocência, puritanismo e preconceito com as palavras – quase sai com outro nome, mas quem segurava os rebeldes cabeludos da época? Nem patrão, nem polícia. Está, quem sabe, plantada uma sementinha neste News e esta é a boa News para quem viveu a gênesis de carnavais esculhambados e inesquecíveis com jornalistas e publicitários. Marcante. Bem-vinda a New Generation.

Escritor e jornalista: [email protected]

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