Domingo, 19 de setembro de 2021

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Fugindo de Putin, russo está há dois dias sem comida no Aeroporto de Salvador

O quente saguão do Aeroporto Internacional de Salvador é, há dois dias, a casa do russo Andrei Orlov, de 58 anos. O senhor de aparência cansada e pernas trêmulas chegou ao Brasil em 21 de março, segundo ele, fugindo de ameaças de morte em seu país natal [Leia mais...]

Fugindo de Putin, russo está há dois dias sem comida no Aeroporto de Salvador

Foto: Metropress

Por: Bárbara Silveira e Evilásio Júnior no dia 06 de abril de 2018 às 15:03

O quente saguão do Aeroporto Internacional de Salvador é, há dois dias, a casa do russo Andrei Orlov, de 58 anos. O senhor de aparência cansada e pernas trêmulas chegou ao Brasil em 21 de março, segundo ele, fugindo de ameaças de morte em seu país natal. Sem ter para onde ir, Andrei vaga pelo aeroporto de Salvador sem qualquer dinheiro ou comida e, há 48 horas, consome apenas a água fornecida pelos bebedouros do espaço.

A história de Andrei chegou ao Metro1 por meio de taxistas que trabalham no terminal e se comoveram com o sofrimento do senhor que não fala português ou inglês. Com a ajuda de um tradutor, a equipe de reportagem conseguiu conversar com Andrei hoje (6). Em meio a frases desconexas, o senhor garante que, durante a juventude, fez parte do Comitê de Segurança do Estado (KGB, na sigla em russo) e, após ser expulso, sofreu diversas tentativas de assassinato – garante ele, ao mostrar a mão sem um dos dedos. Apesar dos instantes de aparente confusão mental, o russo deixou claro que quer permanecer ao Brasil ou talvez seguir para os Estados Unidos.

Abrigo no Brasil – Foi com a ajuda do tradutor do Metro1 que Andrei conseguiu seu primeiro contato com os agentes da Polícia Federal do aeroporto – já que ninguém na equipe sequer arranhava o idioma do 9º país mais populoso do mundo. No posto da PF, o senhor entrou com um pedido de refúgio e deu entrada ao processo para permanecer no país.

Futuro incerto – Apesar de ter dado início ao trâmite legal para permanecer no Brasil, o futuro de Andrei é incerto. Sem dinheiro ou lugar para ficar em Salvador, o russo segue como morador temporário do aeroporto de Salvador e conta com a solidariedade de passageiros e funcionários para se alimentar. Mesmo com a dificuldade, é em tom firme que Andrei afirma que não quer voltar para a Rússia presidida por Vladimir Putin: “O Putin não é um presidente, ele é um vendedor”.

Responsável pela gestão do aeroporto de Salvador, a Vinci Airports acompanha o caso de Andrei e aguarda a legalização do documento para ingressar com um pedido de alocação temporária do russo em um abrigo da prefeitura.

*Com colaboração de André Brito

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