Cidade

ʹNunca pensei que um simples atropelamento fosse destruir minha vidaʹ, Jayme Figura desabafa

Jayme Figura está lesionado. Jayme Figura está revoltado. Jayme figura está de volta. O artista plástico Jaime Andrade Almeida, que há pelo menos 25 anos é uma das imagens mais marcantes das ruas de Salvador, estava sumido desde que foi atropelado em outubro de 2016, mas retorna e pede ajuda para comprar medicamentos. [Leia mais...]

[ʹNunca pensei que um simples atropelamento fosse destruir minha vidaʹ, Jayme Figura desabafa]
Foto : Tácio Moreira/ Metropress

Por James Martins no dia 09 de Abril de 2018 ⋅ 10:00

Jayme Figura está lesionado. Jayme Figura está revoltado. Jayme figura está de volta. O artista plástico Jaime Andrade Almeida, que há pelo menos 25 anos é uma das imagens mais marcantes das vias de Salvador, com uma armadura que a um só tempo reflete e repele a paisagem-vida urbana, a "luta brava da cidade", foi atropelado em outubro de 2016, na Rua Carlos Gomes, e, desde então, anda sumido.

Ele quebrou cinco costelas, lesionou coluna e bacia, comeu o pão que o diabo amassou, mas está de volta. Sem dinheiro para continuar o tratamento à base de antibióticos, sem material para trabalhar, sem direito ao DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), por não ter visto a placa do carro que quase o matou, Jayme Figura faz um apelo a quem quiser ajudá-lo. Em entrevista exclusiva ao Metro1, ele desabafa: "Nunca pensei que um simples atropelamento fosse destruir minha vida"!

O artista acumula dívidas no banco e, para piorar, a esposa sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e, sem condições financeiras para um tratamento adequado, tem lapsos de memória e crises em casa mesmo. "Minha vida está um inferno. Enquanto eu não recuperar minha coluna, minhas costelas, vai ser assim... Se as pessoas puderem me ajudar, serei grato". Os dados bancários para doações são: Bradesco, agência: 2210-1, conta corrente: 0038116-0 [veja vídeo no fim da matéria].

Nas ruas, em suas raras aparições nos últimos meses, os passantes manifestam carinho e curiosidade (muita gente não sabe do acidente), além de estranhamento pelo novo visual de Figura. Uma estrutura plástica, mais leve, remete menos às armaduras medievais que aos equipamentos de escritório: "luta brava da cidade". Questão ergonômica. "Estou me sentindo ridículo com essa roupa. Estou revoltado de andar assim pela cidade. Mas, não posso me arriscar, não estou 100% recuperado e a roupa de ferro pesa muito", explica.

Foto: Tácio Moreira / Metropress

O tratamento das costelas foi feito sem platina, "estão coladas com antibiótico", diz ele, o que demanda mais tempo para recuperação. Os remédios, cujas caixas o artista exibe para a reportagem, são: Meloxigran (meloxicam), Revange (cloridrato de tramadol, paracetamol) e Toragesic (trometamol cetorolaco): "São muito caros, não tenho condições de tomar nos prazos certos, por isso peço ajuda".

Artista exibe máscara que colocou a leilão (Foto: Tácio Moreira / Metropress)

Jayme também coloca em leilão uma máscara confeccionada por ele, em metal. "É uma peça de decoração, não é para botar na cabeça", esclarece, ao exibir a peça, com estilo bem marcado. Na Rua Direita de Santo Antônio Além do Carmo (Centro Histórico), turistas passam, olham para o homem sob a armadura e sorriem. Ele caminha. A caminhada já dura décadas e já rendeu estudos, teses, amizades e deboche. A caminhada é difícil, mas ele segue. Os turistas passam. Ele fica. A roupa é áspera, mas ele cumprimenta as pessoas. O artista pede ajuda. "Na luta brava da cidade".

Notícias relacionadas