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Mais de 500 motoristas já foram banidos de apps em Salvador; assédio está entre as causas

Dados do Sindicato dos Motoristas por Aplicativo e Condutores de Cooperativas do Estado da Bahia mostram que 523 motoristas já foram banidos só em Salvador

[Mais de 500 motoristas já foram banidos de apps em Salvador; assédio está entre as causas]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Bárbara Silveira no dia 24 de Maio de 2018 ⋅ 08:33

Solicitar uma corrida via aplicativo de transporte não deveria ser uma situação desconfortável, mas o simples ato vem preocupando muitos passageiros, principalmente as mulheres. E o temor não é à toa. Na última semana, uma mulher que prefere não se identificar foi assediada após solicitar os serviços de um motorista do aplicativo 99 em Salvador.

Em depoimento à Polícia Civil, a vítima contou que enviou mensagens ao motorista explicando a localização exata de onde aguardava e foi surpreendida com a resposta: “Estou chegando. Deixa eu te perguntar uma coisa. A senhora tá afim de fazer um oral em mim durante o percurso?”.  E essa não foi a única passageira que denunciou motoristas de aplicativos por assédio na cidade. No ano passado, um credenciado ao app Uber foi indiciado por constrangimento após ser denunciado por uma adolescente, que o acusou de acariciá-la, além de perguntar se ela era casada enquanto tocava os próprios órgãos sexuais. Apesar de negar as acusações, o motorista foi banido do aplicativo.

Mais de 500 motoristas banidos de apps de transporte só em Salvador 
Dados do Sindicato dos Motoristas por Aplicativo e Condutores de Cooperativas do Estado da Bahia (SIMACTTER-BA) mostram que 523 motoristas já foram banidos em Salvador. “Esse número é referente  última contagem, mas todo dia chegam motoristas lá afirmando que foram banidos. Isso [523 banidos] são só os que se reportam a gente,  ainda tem os que  não reportam”, explicou o presidente do sindicato, Átila Santana. Sem distinguir quantos motoristas foram excluídos por denúncias de assédio, o presidente afirmou que o última caso foi um fato “praticamente isolado”. “Nós vemos isso corriqueiramente na categoria”, acrescentou.

Aplicativos não revelam número de casos
Procurados pelo Jornal da Metrópole, os aplicativos Uber e 99 afirmaram que a política das empresas não permite divulgar quantos motoristas já foram banidos na Bahia. A 99 afirmou que repudia qualquer tipo de violência e que baniu o motorista denunciado imediatamente. “A 99 possui uma equipe de segurança com mais de 30 pessoas que trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, dedicada exclusivamente à proteção dos usuários”. Já a Uber garantiu que que o banimento pode ser feito caso o motorista não cumpra o Código de Conduta da Comunidade Uber.      

“Motoristas também são assediados”
Em defesa dos motoristas de aplicativo, o presidente do sindicato da categoria argumentou que muitos motoristas também são vítimas de assédio em Salvador. “Mês passado um motorista recebeu a solicitação de viagem e o passageiro começou a abordá-lo via mensagem afirmando que queria dar um trocado a mais para ‘chupar ele todo’. Isso é frequente demais e as plataformas não banem os usuários”, reclamou. “Eu não estou aqui defendendo o ato dos motoristas, mas tem que existir dois pesos e duas medidas”, completou.

Leis antigas prejudicam 
Para a promotora Márcia Regina Teixeira, que coordena o Centro dos Direitos Humanos do Ministério Público da Bahia, a devida punição para esses casos esbarra em leis antigas. “No caso dessa moça, não tem o tipo penal do assédio sexual conforme está na nossa legislação. Nossa legislação não tem uma previsão específica para o caso das encoxadas, dos tipos de constrangimento que essa moça sofreu”, explicou.   

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