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Com obras de Mario Cravo em ruínas, Parque de Pituaçu aguarda revitalização prometida em 2014

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Com obras de Mario Cravo em ruínas, Parque de Pituaçu aguarda revitalização prometida em 2014

Violência e falta de manutenção adequada ofuscam o potencial da maior reserva ecológica de Salvador

Com obras de Mario Cravo em ruínas, Parque de Pituaçu aguarda revitalização prometida em 2014

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Por: Bárbara Silveira no dia 14 de junho de 2018 às 14:29

Maior reserva ecológica da cidade, com mais de 400 hectares, ciclovia com 15 km de extensão, lagoa e exposição a céu aberto, o Parque Metropolitano de Pituaçu tem tudo para ser para Salvador o que o Parque do Ibirapuera representa para São Paulo. Mas o potencial perde espaço para o descaso e a falta de investimento a cada dia.  Criado em 1973, ainda no governo de Roberto Santos, o parque segue aguardando retomada da grande revitalização — orçada em R$ 14 milhões — prometida ainda na gestão de Jaques Wagner no Governo do Estado, em 2014. 

Enquanto as melhorias não chegam, o Parque de Pituaçu pede socorro. Na última terça-feira (12) o Jornal da Metrópole esteve no local que já foi considerado uma das principais áreas de lazer da cidade e encontrou o mato tomando conta de diversas áreas, além das obras de Mario Cravo que apodrecem com o tempo. Se a situação já desagrada aos locais, causa ainda mais espanto aos turistas. No site Tripadivisor, os visitantes ressaltam a beleza do parque, mas não deixam de lembrar o descaso da falta de manutenção. 

Acervo de Mario Cravo em ruínas 
Há tempo as obras de Mario Cravo, último modernista baiano vivo, instaladas no Parque Metropolitano de Pituaçu não estão tendo a manutenção adequada, com algumas sendo tomadas pela ferrugem ou despedaçadas. Em outubro de 2017, a família do artista acreditou que um acordo com a Secretaria de Meio Ambiente poderia reverter a situação de caos, mas oito meses depois, o descaso é o mesmo. “Está tudo acabado, jogado, destruído. Dá vontade de sair correndo de vergonha”, lamentou Ivan Cravo, filho e curador das obras do artista.

Violência assusta
Acostumada a percorrer de bicicleta a trilha de 15 km do parque, a empresária Luciana Souza mudou a rotina por causa da violência. “Agora procuro vir em grupo, sempre com amigos, aqui ficou perigoso por conta dos assaltos”, explicou. Na plataforma Tripadvisor a insegurança também é destacada pelos visitantes. “O parque é ótimo para passeios a pé e de bicicleta também. Em uns lugares dá um certo medo pois é isolado sem segurança. Já há famílias morando no parque”, ressaltou uma turista. 

Inema se esquiva do problema 
Procurado inúmeras vezes pelo Jornal da Metrópole, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que administra o Parque de Pituaçu, não respondeu os questionamentos sobre a tão esperada obra de revitalização prometida para o espaço. Já a Polícia Militar assegurou que realiza “rondas extensivas” na região. “As ações contam com o reforço de guarnições do Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto) da unidade e da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT) Rondesp Altântico”, disse em nota.  

Enquanto nenhuma melhoria é adotada, Salvador deixa de contar com um importante atrativo turístico. “É mais um parque que foi abandonado e menos um atrativo para o soteropolitano e o turista. É um equipamento que vem sendo renegado e degradado”, analisou Roberto Duran, presidente da Salvador Destination.