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Apesar da grandiosa trajetória, Cravo foi testemunha de uma das maiores violências contra as suas façanhas: o descaso do Poder Público

Foto: Tácio Moreira/Metropress
Há pouco mais de uma semana, a Bahia se despedia do artista plástico Mário Cravo Júnior. Durante os 95 anos de história, o escultor, gravador, pintor, desenhista e poeta fez da vida uma obra de arte e espalhou seu trabalho pelos quatro cantos de Salvador. Apesar da grandiosa trajetória, Cravo foi testemunha de uma das maiores violências contra as suas façanhas: o descaso do Poder Público.
As imagens feitas recentemente pelo Jornal da Metrópole no Parque de Pituaçu, local que reúne 3 mil obras do artista, provam o desleixo com parte do acervo doado ao Estado em 1994. A falta de manutenção fez com que as peças espalhadas na área externa fossem corroídas pela ferrugem — agravada por causa da salinidade na região. Para piorar, não há qualquer sinal de revitalização.
Em julho de 2016, o próprio artista fez um desabafo e lamentou a deterioração das esculturas. “Há depredação total e absoluta de um bem que não é mais meu. Quando você faz algo que você ama, você está contribuindo para o enriquecimento da alma humana, do espírito”, declarou em entrevista à TV Bahia.
Agora, familiares e admiradores perguntam: se nada foi feito para preservação das obras enquanto Mário Cravo Júnior estava vivo, qual o futuro delas no espaço que, ironicamente, foi feito para homenagear o autor?
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Sem prazo para o fim do descaso com as obras
Filho de Mário Cravo Júnior e curador das obras do artista, Ivan Cravo contou que a família foi procurada pelo Governo do Estado para que um projeto de revitalização das esculturas e do parque fosse discutido. O contato, de acordo com ele, aconteceu pouco antes do falecimento do pai, no entanto, nada foi adiante até agora. “Tem uma proposta deles, mas não tem previsão”, disse ao Jornal da Metrópole, na última quarta-feira (8). As obras doadas estão sob a responsabilidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult).
Eterno jogo de empurra
Frequentadores também denunciam o estado precário das obras. “Algumas esculturas estão desabando”, relatou Rodrigo Maia-Nogueira. Já Jorge Freitas defende que “a população precisa se envolver” mais para as esculturas serem recuperadas.
O JM tentou contato com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), responsável pela gestão do parque, que preferiu indicar a Secretaria de Cultura do Estado para responder. A Secult, por sua vez, não retornou até o fechamento desta edição.
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