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Escola responde a mãe que questionou contratação de professor trans e post viraliza

Conversa foi compartilhada nos perfis da instituição privada nas redes sociais e acabou repercutindo na web, com mais de 4 mil compartilhamentos

[Escola responde a mãe que questionou contratação de professor trans e post viraliza]
Foto : Divulgação/ Escola Maria Felipa

Por Juliana Almirante no dia 21 de Março de 2019 ⋅ 10:21

A diretoria da Escola Maria Felipa, localizada em Salvador, contratou um professor trans para dar aulas de capoeira aos alunos e acabou surpreendida com a reação de uma mãe que gostaria de matricular os filhos na escola. A conversa foi compartilhada nos perfis da instituição privada nas redes sociais e acabou viralizando na web, com mais de 4 mil compartilhamentos. 

"Não que eu concorde, mas você não acha que isso pode ter diminuído o número de matrículas de vocês?", questionou a mãe. A diretoria da escola respondeu: "Quem acha que uma pessoa trans, apenas por ser trans, não pode educar seu filho, não merece a nossa escola".

O professor trans contratado pela escola é Bruno Santana. Ele foi a primeira pessoa trans a se formar em educação física na Universidade de Feira de Santana (Uefs). "Acredito que  a postagem viralizou justamente por conta das que resistem.  Das pessoas que seguem... Ao contrário do que pensam, somos maioria e tem muita gente que assim como eu, acredita no poder transformador da educação, que apoia e luta por uma educação para além do capital, dos retrocessos e dos fascismos. Pessoas que existem e resistem em meio a todos os descasos e retiradas de direitos e que por mais difícil que a conjuntura possa parecer, seguiremos de mãos dadas na luta por um mundo que seja capaz de contemplar todas as pessoas", defendeu Bruno em mensagem enviada ao Metro1.

O diretor da escola, Ian Cavalcante, diz que ficou triste com a pergunta feita pela mãe, mas acabou emocionado e feliz com o apoio recebido nas redes, depois da repercussão do caso.  "A gente trabalha o respeito e valorização de diversidade e combate a qualquer formna de preconceito", explicou.

Segundo ele, os pequenos de 2 a 5 anos que estudam no local já dão os primeiros passos na vida escolar aprendendo, no dia a dia, que as mulheres devem ser respeitadas e que a questão de gênero vai além da cor da roupa.

Ian não sabe dizer se as matrículas da escola diminuíram depois da contratação do professor trans, mas acredita que a comunidade escolar está alinhada com a forma de pensamento mais diverso. "É algo natural para a gente, a gente verifica se as pessoas utam pelo que a gente acredita", defende.

A diretoria da escola, que leva o nome da heroína negra da Independência da Bahia, ainda tem base no ensino das matrizes ancestrais além da europeia, como a educação tradicional. "A gente tem posicionamento político e de respectiva critica decolonial, isso significa que a gente valoriza matrizes afro-brasileiras, afro-diaspóricas e ameríndia", declarou Ian.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Nosso interesse é lutar e construir pela via da educação o mundo que acreditamos. Não negociamos nossos sonhos!

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