Cidade

Ciclistas de Salvador ainda convivem com o desrespeito nas faixas exclusivas

De acordo com a Superintendência de Trânsito (Transalvador), em 2018, foram 1.727 motoristas autuados por estacionar e 611 multados por transitar sobre ciclofaixas

[Ciclistas de Salvador ainda convivem com o desrespeito nas faixas exclusivas]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Juliana Rodrigues no dia 23 de Maio de 2019 ⋅ 10:00

Os ciclistas de Salvador ganharam mais de noventa trechos exclusivos para circulação de bicicletas nos últimos sete anos, entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, que somam cerca de 245 km de extensão. No entanto, os adeptos do pedal acabam tendo que conviver com o desrespeito: embora sejam infrações de natureza grave ou gravíssima, práticas como circulação e estacionamento de carros e motos sobre as faixas exclusivas são comuns na capital baiana. 

De acordo com a Superintendência de Trânsito (Transalvador), em 2018, foram 1.727 motoristas autuados por estacionar e 611 multados por transitar sobre ciclofaixas. Alguns locais são tidos como mais problemáticos, como explica o coordenador da Associação dos Bicicleteiros do Estado da Bahia (Asbeb), Maurício Lima. 

“Tem a ciclovia da orla marítima, onde muitos pedestres andam. Acabam acontecendo muitos atropelamentos, muita discussão, porque eles não respeitam. No caso da ciclofaixa da Magalhães Neto, alguns motociclistas usam a via para andar, o que é muito perigoso. Na ciclofaixa de Pernambués, o que mais se vê é carro estacionando”, enumera.

Mesmo com problemas, Transalvador aponta melhorias no uso das faixas
Embora ainda haja desrespeito, Maurício diz ter a sensação de que há uma maior conscientização em relação ao que acontecia em anos anteriores. “Essa questão já melhorou bastante, também porque hoje muitos motoristas viraram ciclistas, na realidade”, analisa.

A impressão é confirmada pelo superintendente da Transalvador, Fabrizzio Müller. “De forma geral, a gente vem observando uma redução no número de autuações desde 2017. Apesar de a gente passar na rua e ainda ver muito desrespeito, há uma mudança de comportamento no respeito às ciclovias”.

Associação cobra novas campanhas
Mesmo com os avanços, os ciclistas consideram que o poder público precisa promover mais ações de conscientização. “A gente precisa sempre estar fazendo campanhas, colocando sinalização horizontal e vertical, informando. É uma luta insistente, temos que estar sempre cobrando”, diz o coordenador da Asbeb. 

Segundo Fabrizzio Müller, além da fiscalização, a Transalvador tem atuado com iniciativas como o projeto “Condutores do Futuro”, que promove educação para o trânsito desde a infância. A ação aconteceu no domingo (19), na avenida Magalhães Neto.

Ciclistas ganharão novas rotas
Ainda neste ano, os ciclistas da capital baiana deverão passar a contar com outras 16 faixas exclusivas, que somam 23,6 km de extensão. Segundo a Transalvador, 15 dos trechos são ciclofaixas,  que serão implantadas em vias como a avenida Barros Reis, a rua Oswaldo Cruz e a avenida Luís Eduardo Magalhães. Há, ainda, a ciclovia do segundo trecho da Avenida Oceânica, que está em fase de requalificação.

Notícias relacionadas