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Metrô: pedido de investigação foi retirado por vereador que se aliou a Neto

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Metrô: pedido de investigação foi retirado por vereador que se aliou a Neto

Parece que a instalação de uma nova Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara de Vereadores de Salvador para apurar suspeitas de irregularidades relacionadas às obras do Metrô da capital baiana virou fogo de palha. A CEI, que foi requerida pelo vereador Henrique Carballal [Leia mais...]

Metrô: pedido de investigação foi retirado por vereador que se aliou a Neto

Foto: Tácio Moreira/Metropress

Por: Matheus Morais no dia 01 de novembro de 2015 às 09:00

Parece que a instalação de uma nova Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara de Vereadores de Salvador para apurar suspeitas de irregularidades relacionadas às obras do Metrô da capital baiana virou fogo de palha. A CEI, que foi requerida pelo vereador Henrique Carballal (PV), em fevereiro deste ano – quando ainda fazia parte dos quadros do PT — foi arquivada dois meses depois, em abril, a pedido do próprio Carballal, que mudou de lado e atualmente é vice-líder do prefeito ACM Neto (DEM) na Casa. 

Na época, ele alegou que houve um ‘vício de origem’ no requerimento. Nos bastidores, comenta-se que o Executivo Municipal trabalha arduamente para que o assunto não volte aos holofotes. A ordem era clara: os vereadores governistas tinham que barrar a CEI do Metrô a qualquer custo. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), houve sobrepreço na obra de pelo menos R$ 166 milhões, em valores da época, e culpa de gestores indicados pelo então prefeito e atual deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB). Estima-se que a implantação do metrô tenha custado mais de R$ 1 bilhão. 


Presidente da câmara: não há obstáculos

Contatado pelo Jornal da Metrópole, o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Paulo Câmara (PSDB), afirmou que, se houver o requerimento de uma nova CEI, não vai articular para impedir que ela seja instalada na Casa — embora a Comissão atinja indiretamente Imbassahy, um dos caciques do partido na Bahia. “Da minha parte não há obstáculos, não terá nenhum problema, desde que ela tenha os 29 votos necessários para entrar na ordem do dia. Já que a antiga foi arquivada, uma nova CEI teria que ser requerida, mas não vejo nenhum movimento que indique isso na Câmara”, afirmou. 

Petista: “sem condições”

Para a vereadora Vânia Galvão (PT), a oposição não tem condições de aprovar uma CEI atualmente na Câmara — o que explicaria a firmeza do presidente da Casa em dizer que não se oporia a um pedido do tipo. “Infelizmente, o bloco do governo tem uma maioria expressiva, com 29 vereadores. Mas nós não estamos parados, estamos analisando uma série de informações que já recebemos de órgãos públicos, para nos subsidiar em relação a isso. Obviamente, quando Carballal saiu do partido, foi orientado para que pedisse o arquivamento da CEI”, disse.
O líder da oposição na Câmara, Luiz Carlos Suíca (PT), acredita que os vereadores darão um grande exemplo se instalarem uma nova CEI. “É preciso apurar. Eu gostaria que as coisas fossem passadas a limpo, pelo bem do patrimônio público”, ressaltou.