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'Convivia com turma do SNI', lembra Walter Pinheiro sobre fundação da Tribuna da Bahia

Fundado no ano de 1969, em meio à ditadura militar, jornal completa 50 anos na próxima segunda-feira (21)

['Convivia com turma do SNI', lembra Walter Pinheiro sobre fundação da Tribuna da Bahia]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Juliana Almirante no dia 17 de Outubro de 2019 ⋅ 12:23

O diretor presidente Tribuna da Bahia, Antônio Walter Pinheiro, falou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (17), sobre o processo de fundação do jornal, no ano de 1969, em meio à ditadura militar. A Tribuna completa aniversário de 50 anos de fundação na próxima segunda-feira (21).

Ele conta que a ideia de criar o jornal surgiu quando Elmano Silveira Castro estava em um happy hour com amigos, quando afirmou que a Bahia precisava de uma mídia que atuasse com respeito aos leitores e fosse combativa. 

"Elmano bateu na mesa e disse: temos obrigação de oferecer à Bahia um jornal, uma televisão e uma gráfica que se respeite. Deve ter sido por volta de 1965, 1966. Elmano era uma figura extremamente inquieta, corajosa, audaciosa, intrépida, e partiu para isso, naturalmente tendo o apoio de outros", relatou. 

Cerca de quatro anos depois, foi fundada a Tribuna da Bahia, no dia 21 de outubro de 1969. Com a carência de faculdades de Comunicação, o jornal começou a formar profissionais de imprensa na "Escolinha TB" e criou um guia de redação. 

"A Escolinha chegou a emitir umas cinco cartilhas. Por isso, se tornou o primeiro guia de redação da imprensa brasileira. Ninguém falava em guia de redação. Eram fascículos e falava-se aos jovens, já que não tinha escola de Comunicação, como ele gostaria que fosse feito o linguajar, e quebrando os tabus. Um deles: mais adiante surgiu o grupo Camisa de Vênus. O tradicional A Tarde disse 'Camisa de Vênus' não pode. A Tribuna escreveu : 'conjunto musical 'Camisa de Vênus'. Sobre Cuba, ninguém falava. A Tribuna abriu os espaços", diz Pinheiro. 

Ele lembra que o jornal foi implantado após o Ato Institucional 5 (AI-5), entendido como o endurecimento do regime.

 "Elmano se compremeteu a fazer jornal independente, brigão, enfim. O AI-5 tinha sido implantado em dezembro de 1968. O Congresso fechado, a censura em pleno vapor. E o jornal com aquele compromisso, inclusive de atender aos estudantes, voltados a universitários. E também tinha obrigação de divulgar. Isso trouxe série de embates e problemas com o sistema de maneira geral. Isso fez com que respondêssemos, não só a audiências, mas a processos também", afirma. 

Pinheiro diz ainda que, durante o período militar, precisava conviver com agentes do Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de espionagem implantado pelo primeiro presidente da ditadura, general Castello Branco.

"Porque eu convivia com turma do SNI, com o Comando da 6ª Região, e tem histórias sensacionais que a gente passou e atravessou. Mas quem olhava aquilo ali achava que só louco pode botar um jornal numa circunstância daquela. Mas colocou e o jornal está aí. E do 'AI-5' chegamos ao 'AI-50' (risos)'. Então esse foi o começo, em si, e o jornal veio com essas características  técnicas e um linguajar diferente, quebrando tabus", define. 

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