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Metrópole no Oriente Médio: repórter relata traços da sociedade israelense

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Metrópole no Oriente Médio: repórter relata traços da sociedade israelense

O repórter da Rádio Metrópole André Teixeira contou mais um pouco sobre seu período em Israel, em relato enviado ao Metro1, ele conta sobre as características das famílias do oriente médio e da sociedade árabe. Confira o texto de André. [Leia mais...]

Metrópole no Oriente Médio: repórter relata traços da sociedade israelense

Foto: André Teixeira/Metropress

Por: Matheus Simoni no dia 02 de dezembro de 2015 às 15:00

O repórter da Rádio Metrópole André Teixeira contou mais um pouco sobre seu período em Israel, em relato enviado ao Metro1, ele conta sobre as características das famílias do oriente médio e da sociedade árabe. Confira o texto de André: 

Começamos nossa jornada hoje visitando duas cidades importantes do centro distrital de Israel, a árabe conhecida por Tira , que fica a cerca de 15 minutos de Kfar Sava, cidade base aonde nós encontramos, junto com os colegas latino-americanos, a judia ultraortodoxa Elad, fundada em 1998 e distante de Tel Aviv cerca de 25 km. Elad tem perto de 50 mil pessoas e a estrutura administrativa, social e educacional consagrada na religião. A caminho das cidades de Tira e da judia ultraortodoxa de Elad, a cidade árabe muçulmana de Tira está localizada a cerca de 10 minutos da cidade de Kfar Sava. Hoje em dia, 20% da população israelense é árabe, com cerca de 1,25 milhões de habitantes. Os salários das famílias árabes são menores do que as da famílias judias. 

 Na sociedade árabe cada pessoa tem sua função. As mulheres não trabalham na sua maioria, diferente das mulheres israelenses. Assim, o salário das famílias árabes é menor que os salários das famílias israelenses. A sociedade árabe de Tira é considerada conservadora. Fazer um intercâmbio entre os dois estados seria uma forma de amenizar o conflito entre israelenses e árabes palestinos, segundo o prefeito de Tira. 

O serviço militar não é obrigatório para os árabes que vivem em Israel. Dessa forma, o governo Israelense quer prevenir que os árabes lutem contra seus próprios irmãos judeus. Assim o serviço militar para os árabes é voluntária. Em Israel cada mandato nos municípios é de cinco anos. Em Tira a situação econômica não é fácil, segundo o prefeito local Marmud Aldehaild. A prefeitura local é responsável pela infraestrutura da cidade. São 26 mil habitantes e são 1,25 milhão de árabes palestinos morando em Israel. As cidades árabes de Israel estão nas partes mais baixas dos estratos econômicos. "Apesar de todo o conflito, temos uma boa relação com os judeus. Há boas relações entre as famílias de ambas as partes. Temos uma coexistência entre judeus e árabes apesar da situação política difícil." 

Na prefeitura existem cerca de 380 funcionários. Marmud diz também que "nestes anos, temos aprendido a usar a estrutura democrática de Israel. Há muita gente que acredita nas relações positivas entre Israel e Palestina. Temos demonstrados que podemos combinar as relações entre palestinos e israelenses. A principal crítica é sobre os direitos dos árabes no país. Os árabes em Israel são discriminados. Um aluno judeu recebe no final seis vezes mais que um aluno árabe. Existe uma inversão de infraestrutura entre as cidades judias e árabes. Em poucos anos foi implantado transporte público em Tira que não existia. Toda infraestrutura industrial se localiza em Israel. Nossa principal crítica é o pouco apoio dado às cidades árabes israelenses". "Nós somos contra essas guerra e utilizamos todas as ferramentas democráticas para convencer a oposição. Porque não vamos lutar contra nossos irmãos". Sobre o Hamas, o prefeito diz que, "quem criou o Hamas foi a ocupação israelita. Para que haja paz é preciso que não existe pobreza no estado palestino." 

"Essa minoria do Hamas não representa a opinião dos palestinos Quando há uma guerra há facções do Hamas que sentam para negociar". Para o prefeito de Tira esta guerra atinge a todos, "porque cada país tem seus interesses, sejam os russos, a Turquia, Israel, Síria, ou os países árabes". 100% da população de Tira é árabe muçulmana. A representação árabe em Israel tem aumentado no parlamento. Porém, ele ressalta: "Não podemos fazer parte de um governo que declara guerra ao nosso povo". 

"A - muro - separação divide pessoas da mesma cidade. Portanto, dificulta a nossa subsistência. Toda infraestrutura está na parte judia sendo assim nossa população sofre com o desemprego. Pagamos menos impostos porque somos mais pobres. A maioria do nosso povo é assalariado". Há 68 cidades árabes em Israel. Há algumas cidades que são mistas em Israel como Tel Aviv por exemplo. "Hoje em dia os árabes palestinos estão dispostos a aceitar o mapa de antes de 67. A história mostrar que quando há cooperação econômica entre as partes todos vivem bem". "Todos pagam o preço pela guerra. Lamentavelmente o estado de Israel é exagerado nos suas respostas militares". "A solução é dar-lhes um país, dar-lhes uma esperança. E o povo palestino merece isso". "Cremos que o futuro será bom para todos", afirma Marmud Aldehaild, alcaide de Tira. 

A cidade de Elad tem cerca de 50 mil habitantes. É uma cidade de judeus ultraortodoxos. No parlamento, este grupo é representado por 10 deputados dos 120 que compõe o knesset. É uma minoria privilegiada que tem cerca de 15% da população total do país. Em Elad nascem cerca de 40 crianças por semana. Na educação ultraortodoxa os meninos e meninas estudam separadamente. Os jovens não estudam juntos e só se relacionam depois do casamento.