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Jornalista diz que classe média branca 'não reagiria com a mesma solidariedade’ em protestos no Brasil

Para Cristina, no Brasil acontecem abusos semelhantes, mas que não provocam indignação na população pela "naturalização do racismo estrutural"

[Jornalista diz que classe média branca 'não reagiria com a mesma solidariedade’ em protestos no Brasil]
Foto : Reprodução

Por Luciana Freire no dia 30 de Junho de 2020 ⋅ 13:17

A jornalista e escritora brasileira Cristina Serra comentou hoje (30) em entrevista a Mário Kertész na Rádio Metrópole sobre a onda de protestos anti racistas que teve início nos Estados Unidos após a morte de George Floyd e seu reflexo no Brasil. Para Cristina, no Brasil acontecem abusos semelhantes, mas que não provocam indignação na população pela "naturalização do racismo estrutural no país, tão enraizado que muitas vezes as pessoas praticam atos de racismo sem nem se dar conta disso".

"A partir do caso do George Floyd nos EUA não vamos tirar o racismo da pauta da imprensa brasileira. Nós tivemos um caso parecido aqui no Brasil. Mas aqui no Brasil casos semelhantes não provocam essa reação. A comunidade branca se solidarizou com o racismo lá. Sei que estamos em um momento de pandemia, mas acredito que mesmo se não estivéssemos, aqui a classe média branca não reagiria com a mesma solidariedade", afirmou Cristina.

Questionada sobre a destruição dos patrimônios arquitetônicos da história por homenagearem figuras escravocratas nos Estados Unidos, Cristina disse que entende como ofensivo "ter uma estátua de alguém que defendeu a escravidão", e sugeriu que estátuas sejam levadas para um museu, com sua devida explicação. "Não se deve apagar a história, mas também não se deve agredir as pessoas com a lembrança de personagens que concordaram com a escravidão", disse.

Sobre a situação política no Brasil, Cristina comentou seu artigo em que compara o caso Queiroz com outras histórias políticas brasileiras com situação semelhante envolvendo Vargas e posteriormente o mesmo com o então presidente Collor. Para ela, Queiroz e Wassef são "homens bomba", "que se abrissem a boca poderiam desmoralizar o governo Bolsonaro."

Ainda falando do governo Bolsonaro a jornalista criticou o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, "símbolo do governo atual que temos, ele se comportou como um moleque". Cristina diz acreditar que a educação é questão de "emancipação civilizatória", e que o fato de estarmos passando pelo terceiro ministro no que chamou de "ministério mais importante de qualquer governo" mostra que "o prejuízo que vamos ter nessa área será imenso".

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