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Segurança tenta impedir homem de entrar em mercado de Salvador por usar short curto; veja vídeo

‘Homem tem que entrar composto, tem várias crianças aí dentro’, diz funcionário em imagens

[Segurança tenta impedir homem de entrar em mercado de Salvador por usar short curto; veja vídeo]
Foto : Reprodução/Instagram

Por Lara Curcino no dia 21 de Setembro de 2020 ⋅ 12:00

Um homem foi hostilizado, no último sábado (19), por tentar entrar em um mercado de Salvador vestindo um short curto. Na ocasião, o segurança do local diz que o rapaz, por ser homem, teria que estar “composto”. 

De acordo com a vítima, em sua publicação nas redes sociais, o funcionário tentou impedi-lo de acessar o interior do Walmart de Itapuã. “Mediante a vergonha da cena, abaixei o short duas vezes, perguntando se com aquele tamanho eu poderia entrar. Ele fez sinais gestuais dizendo que não, abaixei mais um pouco, já humilhado naquela situação, e consegui entrar”.

Em vídeo divulgado, no momento da saída do rapaz, o segurança o repreendeu novamente. “Até o momento, o senhor é homem. Então o senhor tem que ajeitar o seu short. Homem não pode usar short curto, tem que estar composto. Temos várias crianças aí dentro”, diz o funcionário do local nas imagens.

A vítima responde: “sou homem, mas posso usar short curto, não posso? Várias mulheres aí dentro estão com short curto”. O segurança rebate: “não, senhor. O senhor tem que estar dentro da realidade. O senhor é homem, como eu. Se me disser algo contrário a isso, aí a coisa muda. Mas, por enquanto, o senhor é homem”. 

Assista a gravação completa:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Tentaram me impedir de entrar no supermercado, perguntei o motivo e olha só o show de horrores: Ajudem a divulgar isso! Tenho que ME VESTIR COMO HOMEM porque ofendo crianças. Mas só EU, outras pessoas não. Que nome se dá pra esse tipo de discriminação? Só um adendo: se a opinião de quem está à frente do mercado me acha indigno de entrar ali por causa da minha roupa e que não posso ser visto pelas crianças (sou mau exemplo?), que guarde para si. Quando essa opinião tenta me barrar em um local de acesso público, temos um problema. Explicando toda a situação: Na noite de ontem, ao tentar entrar no Walmart de Itapuã, em Salvador, um funcionário tentou negar a minha entrada porque eu estava com um short curto. Mediante a vergonha da cena, abaixei o short duas vezes perguntando ao funcionário se com aquele tamanho eu poderia entrar. Ele fez sinais gestuais dizendo que não, abaixei mais um pouco, já humilhado naquela situação, e consegui entrar. Na hora da saída, ajeitei meu short e novamente vieram me repreender. Dessa vez, questionei ao segurança do vídeo sobre o porquê de todo esse incômodo comigo e a resposta foi essa que vocês estão vendo. Não gritei, não xinguei e nem agredi ninguém. A única coisa que eu fiz foi fazer perguntas, pedir esclarecimentos. Eu sou um homem gay, negro e pobre. Eu não iria cair na besteira de fazer “barraco” porque a gente sabe qual o lado fraco da corda. E todos nós sabemos que o sistema não dá a mínima para vidas como a minha. Também não posto sem o mosaico nos rostos porque, ao contrário do mural público que a internet parece ser, as pessoas tem o direito de ter sua imagem preservada e eu não quero receber processos por isso. Minha advogada está entrando com uma ação contra o supermercado por todo o vexame que ele me fez passar. É isso, não se calem mas também tentem agir com cuidado nessas situações, se possível. Deixe o outro tropeçar em suas próprias palavras, ele tem que se justificar, não eu. Do mercado, mais preparo e responsabilidade. Dos funcionários, mais humanidade.

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