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Eduardo Giannetti destrincha fábula de Giges em novo livro

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Eduardo Giannetti destrincha fábula de Giges em novo livro

Economista relaciona poder da invisibilidade com comportamento da sociedade brasileira

Eduardo Giannetti destrincha fábula de Giges em novo livro

Foto: Metropress

Por: Matheus Simoni no dia 08 de dezembro de 2020 às 09:26


A fábula de Giges, presente no segundo livro da República de Platão, foi analisada no novo livro do economista Eduardo Gianneti, lançado em novembro deste ano. Batizada de "O anel de Giges: Uma fantasia ética", a obra fala da história sobre um camponês ter encontrado um anel capaz de lhe conceder o poder da invisibilidade. Diante da novidade, ele passa a adotar uma vida sem impedimentos ou censura social, passando a usufruir dele para adquirir poder.

"O caminho da resposta dele não é converter individualmente cada um. Há uma convergência entre ética e felicidade. O caminho da resposta dele é a primeira utopia da tradição filosófica ocidental. Para que haja a convergência entre ética e felicidade, tem que mudar a estrutura da sociedade e mudar a educação", diz Gianneti em entrevista a Mário Kertész hoje (8), no Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole.

"Os governantes têm que ser sábios e filósofos. Não há solução caso a caso. A alma corrompida do Giges é o reflexo e miniatura de uma sociedade corrupta e cindida, como era a que existia. Enquanto a sociedade não for justa e harmoniosa, e as pessoas não tiverem uma educação para valer, não vai ter convergência entre ética e felicidade. O anel de Giges abre esse verdadeiro continente novo no universo do pensamento humano", comentou.

Ainda de acordo com o economista, é possível traçar um paralelo entre a fábula e o que é vivido na sociedade brasileira nos dias atuais no que diz respeito à impunidade. "Nós temos uma situação no Brasil ainda que, em grande medida, é a situação do antigo regime europeu antes da revolução francesa. Existe muita gente no Brasil que trabalha com a certeza da impunidade e vive uma quase certeza dessa impunidade, como se ganhasse um anelzinho de Giges. Não é só na elite governante, no Judiciário com foro privilegiado e supersalários ou uma certa elite financeira. É algo que permeia a sociedade brasileira", afirmou o especialista.