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Cultura

Roda Baiana: atriz Divina Valéria encerra entrevistas em homenagem a Semana da Mulher

Figura famosa na Bahia, a artista foi a convidada desta sexta-feira (12)

[Roda Baiana: atriz Divina Valéria encerra entrevistas em homenagem a Semana da Mulher]
Foto : Reprodução

Por Gabriel Amorim no dia 12 de Março de 2021 ⋅ 14:42

Quem brincou o carnaval de Salvador nas décadas 70 e 80 com certeza lembra de Divina Valéria. Natural do Rio de Janeiro, a artista virou símbolo do antigo bloco Jacu, onde desfilou por 12 anos. Foi para dividir essas e outras memórias - e falar do futuro - que Valéria conversou hoje (12) com Fernando Guerreiro, Jonga Cunha e Faustão, no programa que encerrou as entrevistas em homenagem ao Dia das Mulheres, comemorado na última segunda-feira (8).

Durante o papo, a atriz e transformista lembrou a vinda para a Bahia, que aconteceu em 1974. Antes do bloco, seu primeiro contrato em terras baianas foi na antiga Boate Clock, importante casa de shows da época, situada na Avenida Contorno. “Fui contratada para fazer um show numa boate aqui e o foi um sucesso muito grande. Conheci Luz Queiroz, que era  a maior anfitriã de Salvador, ela e o filho dela me colocaram no Bloco, sem imaginar o que aconteceu. O povo brincava olhando para trás, olhando pra mim lá em cima. Naquela época uma travesti era uma coisa fora do comum, mas eu tinha vindo da Europa, já tinha uma tarimba e só fiz bonito. Foi um sucesso tão grande que vinha todo ano da Europa para desfilar aqui”, lembra com detalhes. As vindas para desfilar aconteceram durante 12 anos, até 1986.

Antes de se transformar em símbolo de um dos blocos antigos da folia baiana, no entanto, Divina Valéria já havia feito sucesso no Rio de Janeiro com o espetáculo Les Girls, com um elenco formado por atrizes transformistas. Sobre ser transformista ela comenta. “Cada vez menos eu fui vivendo como mulher, me sentindo mulher, eu fui vivendo mais a artista, independente do sexo. Hoje eu dia eu me vejo como uma pessoa normal, não estou preocupada em ser mulher, homem, travesti, eu sou gente e é o que me importa”, defende. Les Girls ficou em cartaz de 1964 a 1969 com seu elenco original, que se desfez quando Divina foi para a Europa. “Tive as portas abertas em todos os lugares, nunca tive problema em nenhum lugar. Sempre tive esse dom de saber me portar, entrar e sair de todo lugar”, conta.

Depois de anos, hoje a artista se firma também como nome importante no cinema. Com participações nos filmes Cidade Baixa e Marie - que lhe rendeu um Kikito no Festival de Cinema de Gramado em 2019. Um terceiro filme, Lilly e as Libélulas - aguarda o fim da pandemia para ser lançado. Além do filme, a atriz também prepara sua estreia no teatro.Na companhia das atrizes Lucinha Lins, Bárbara Bruno e Nadja Jardim ela integra o elenco de As Meninas Velhas, espetáculo de autoria de Cláudio Tovar que está em fase de leituras e ensaios.  “Agora eu vou para o teatro como atriz, é outra onda, diferente do cinema. No cinema você tem que ter paciência, mas pode refazer uma cena ou outra, mas no teatro não. Estou muito ansiosa e preocupada, se eu serei capaz de estar tão bem como estive no cinema”, relata ela.

Prestes a completar 77 anos, e já imunizada contra o Covid-19, Divina Valéria termina dividindo o segredo para viver com tanto entusiasmo. “'Não tem uma receita. Sou uma pessoa muito otimista, sempre agitada fazendo algo, caminho muito, eu não me entreguei a idade, não penso na idade e continuo fazendo tudo que eu fazia. Eu não brigo com minha idade, e estou muito feliz com a minha idade tendo tido uma vida de cinema. Na hora que eu tiver que ir estou no lucro. Já fiz tudo que eu queria, realizei tudo que eu queria, tive tudo que eu queria. Rodei o mundo”, finaliza.

A edição de hoje do Roda Baiana está disponível na íntegra através do YouTube:

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