
Cultura
Roda Baiana: projetos resgatam memória do teatro baiano
João Guisande e Jorge Alencar conversaram sobre iniciativas realizadas durante a pandemia

Foto: Reprodução
Os teatros estão fechados desde março de 2020 e foram o único segmento que desde lá nunca voltou. Sem poder ocupar as salas de espetáculos, os artistas baianos pensam em novas formas de estar ativos e criar artes mesmo no isolamento. Dois desses projetos, que usam a memória como pano de fundo, foram o tema de hoje (25) do Roda Baiana. João Guisande e Jorge Alencar falaram sobre seus novos trabalhos em papo com Fernando Guerreiro, Jonga Cunha e Faustão.
Ator, autor e diretor, João Guisande idealizou o projeto ‘Memória do Teatro na Bahia’. O trabalho, no entanto, começou antes do isolamento. “Comecei o projeto em 2019 com a intenção de conhecer mais sobre o teatro feito na Bahia, e a cidade a partir do teatro feito na Bahia. Comecei a fazer umas entrevistas por curiosidade mesmo. Quando chegou a pandemia eu não consegui ficar parado e comecei a provocar vários artistas e comecei a receber inúmeros depoimentos e a partir dele criei o texto dramático", conta João. O 'Memória' já lançou uma leitura dramatizada do texto de Guisande,e sete podcasts com entrevistas a diversas personalidades da internet. Uma exposição virtual também está disponível e tudo pode ser acessado através do site do projeto. Um documentário drama em cinco episódios será lançado entre 6 e 10 de abril
Já o projeto capitaneado por Jorge Alencar estreia entre abril e maio e traz memórias de artistas ao assistir espetáculos. “Como dar nome a essas criações remotas? A gente está inventando ainda, mas por enquanto estamos chamando de peça virtual. Desde 2017 montamos uma biblioteca de artistas que contam peças que assistiram e tudo que está em volta dessa experiência de assistir um espetáculo”, diz Alencar. Participam do projeto nomes como Claudia di Moura, Monica Santana , Larissa Lacerda e Neto Machado.
Sobre a ideia de trabalhar com as memórias do artista enquanto expectador, Alencar acredita ser algo importante.”“A gente faz muito isso com filmes, mas pratica pouco isso em relação às artes cênicas. Mas cada artista é um arquivo vivo, o corpo e a memória desses artistas é também a memória do teatro”, defende. O projeto, intitulado de Memória Viva, vai gerar dois produtos: um com a memória dos artistas - o arquivo vivo - e outro focado nos locais do teatro baiano - o arquivo de espaços. Quem quiser saber do lançamento pode acompanhar as novidades pelas redes sociais da Dimenti Produções
No processo de mergulhar em memórias os artistas contam os destaques. “Eu como sou um ator jovem, não vi muita coisa, e ter a possibilidade de ler, de ouvir, muita coisa, muita coisa que eu não assisti, mas tenho a possibilidade de ter um material riquíssimo nas mãos. Isso nos torna, no mínimo, artistas melhores. Fazer essa descoberta do que é o teatro baiano. É um liquidificador de muita coisa”, diz João. “A memória veio forte porque em algum sentido é o que nos resta. Claro que a gente tá buscando outros jeitos, alternativas para estar em cena mas a memória vem com muita força nessa situação“, completa Alencar
A edição de hoje do Roda Baiana está disponível na íntegra no Youtube:
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