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Cultura

Fotógrafo Aristides Alves fala sobre seu novo livro 'Num rastro de relâmpago'

Obra foi feita pelo artista enquanto ele se recuperava de uma cirurgia durante a pandemia

[Fotógrafo Aristides Alves fala sobre seu novo livro 'Num rastro de relâmpago']
Foto : Metropress

Por Augusto Romeo no dia 06 de Abril de 2021 ⋅ 09:46

O fotógrafo Aristides Alves conversou com Mário Kertész, durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, sobre o seu novo livro intitulado "Num rastro de relâmpago". Neste seu 20º livro, Aristides vai fundo na memória e inclui, na narrativa, registros familiares da sua infância e adolescência, divididas entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Passeando pelas páginas da obra, você descobre um pouco do que passa pela cabeça do fotógrafo de 72 anos através de milhares de filmes de quase cinco décadas de dedicação ao registro, divulgação, pesquisa e catalogação de imagens.

Na entrevista, o fotógrafo conta que a produção do livro foi feita enquanto estava isolado e como as indagações do ser humano frente a pandemia serviram de inspiração para o projeto. "Fiquei recluso, de quarentena, isolado e comecei a pensar porque essa questão da pandemia é uma ameaça mesmo que você isolado, ela paira - literalmente - no ar. Eu recorri a instrumentalização que eu tenho, que é a fotografia, e trabalhei no livro não só uma questão da memória mas todo esse processo da dualidade, do nascimento à morte, da alegria à tristeza, a questão do destino... Então (o livro) passa por todos esses elementos, todos esses conflitos... Tentei colocar, como você sentiu, um pouco dessas reflexões e essas dúvidas, todos esses pensamentos que nos ocorrem durante essa época que estamos vivendo", conta Aristides Alves à Mario Kertész.

"O livro foi feito durante a pandemia, após uma cirurgia. Logo depois, na recuperação, entrei nesse processo. Eu recorri aos fragmentos de exames radiológicos e cintilografia, misturados com fotos da minha infância e vários fragmentos de fotografia. A ideia é que essa mistura, tanto do filme a cores e preto e branco, esses fragmentos de foto se conectassem e formassem uma engrenagem e produzissem uma história, uma narrativa", disse. Segundo Aristides, o processo cirúrgico foi rápido e, durante os quarenta e cinco dias de recuperação, o livro foi realizado com maestria. "Foi um sucesso, foi tudo tranquilo", disse.

Nascido em Belo Horizonte, em Minas Gerais, Aristides também falou sobre sua vinda a Bahia e a proximidade que tem com o estado e com a cidade de Salvador. "Eu vim de Belo Horizonte no ano de 71 pra conhecer a Bahia, que eu tinha muita vontade de conhecer. Eu tinha vido no ano anterior, mas fiquei em Morro de São Paulo. De lá eu vi Salvador, mas não cheguei até a cidade. Morro de São Paulo não tinha nem calçamento nem energia elétrica, você imagina o paraíso que era aquilo. Resolvemos voltar um ano depois e fiquei aqui. Fui ficando, fiz amigos, comecei a fazer teatro, música, depois acabei fazendo vestibular, me casei, tive dois filhos e tô aqui até hoje", comenta o escritor.

Num rastro de relâmpago será lançado hoje (6), às 19h30, em uma live no canal Foto em Pauta, do Festival de Fotografia de Tiradentes, com a participação das pesquisadoras e curadoras associadas Angela Magalhães e Nadja Peregrino, que fazem a apresentação do livro, e do fotógrafo Eugênio Sávio, coordenador do Foto em Pauta e do Festival de Fotografia de Tiradentes, segundo site da Secretaria de Cultura da Bahia.

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