Quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Cultura

Especialista em prevenção de incêndios diz que Brasil investe pouco na área: "Não é caro"

Destruição de acervos históricos, em incêndios ao longo da história, são uma constante no país

Especialista em prevenção de incêndios diz que Brasil investe pouco na área: "Não é caro"

Foto: Reprodução

Por: Geovana Oliveira no dia 30 de julho de 2021 às 15:35

Destruição de acervos históricos, em incêndios ao longo da história, são uma constante no Brasil. Na última quinta-feira (29), foi a vez de um galpão da Cinemateca Brasileira, onde um incêndio consumiu toda a memória administrativa das políticas públicas implementadas para o cinema brasileiro entre as décadas de 1960 e 1990, além de equipamentos antigos, como câmeras e projetores, que fariam parte do Museu do Cinema. 

Não é nem o primeiro incêndio na Cinemateca, que já sofreu com as chamas outras quatro vezes. E ao equipamento cultural se juntam também o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, o Museu da Língua Portuguesa, o auditório do Memorial da América Latina, e até o Liceu de Belas Artes. 

O técnico de incêndios Rogério Lin, superintendente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), no entanto, afirma que muito poderia ser feito para evitar as perdas — sem necessidade de grandes investimentos. "Impedir que o incêndio comece é muito difícil, mas depois que ele começou você precisa limitá-lo, porque ele coloca vidas em risco e destrói o patrimônio. Não queremos que isso aconteça com esses acervos históricos que não têm como ser recuperados, como no caso dos filmes da Cinemateca", afirma. 

De acordo com Lin, é possível ser feito um "tratamento retardante" em revestimentos combustíveis, adotar medidas de compartimentação em áreas menores, o uso de paredes resistentes ao fogo (parede de alvenaria), portas resistentes ao fogo e selagem resistente ao fogo em passagem de sistemas hidráulicos e cabos elétricos específicos. O que, segundo ele, não é custoso. "Não necessariamente exige um alto investimento — uma parede corta fogo não é um investimento caro, é uma parede", explica. "Não é tão dispendioso, você geralmente só faz uma vez, não precisa refazer o ano todo. Existe uma manutenção, mas não é muito frequente", completa. 

As medidas, inclusive, estão regulamentadas pela ABNT. Mesmo assim, como Lin informa, museus brasileiros que perderam acervo para o fogo não possuíam a licença dos bombeiros — caso do Museu Nacional e do Museu da Língua Portuguesa.   

No caso da Cinemateca, ainda não se sabe se possuía medidas de retardamento do fogo. Ainda mais sendo um local com material combustível, já que os filmes eram de micro celulose, estrutura molecular que já tem oxigênio na sua composição. Uma perícia está sendo feita na tarde desta sexta pelo Corpo de Bombeiros.

O ex-secretário municipal de Cultura de São Paulo e ex-diretor da Cinemateca Brasileira, Carlos Augusto Calil, frisou que os prédios da Cinemateca seguem fechados desde o início da pandemia e não há técnicos cuidando do acervo, o que pode levar a novos incidentes do tipo.

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