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Audiovisual baiano pode perder cota milionária da Ancine por desinteresse da TVE

Cultura

Audiovisual baiano pode perder cota milionária da Ancine por desinteresse da TVE

Edital da Agência Nacional de Cinema destina R$ 60 milhões a emissoras, com cota para o Nordeste, mas a TV estatal da Bahia ainda não confirmou participação; setor cobra posicionamento do Irdeb

Audiovisual baiano pode perder cota milionária da Ancine por desinteresse da TVE

Foto: Reprodução

Por: Metro1 no dia 04 de março de 2026 às 18:32

A Bahia corre o risco de deixar escapar um investimento milionário do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), gerido pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), por ainda não ter apresentado proposta na chamada pública “TV e VoD: Desempenho Comercial de Programadoras 2025”, cujas inscrições serão encerradas na sexta-feira (06).

O edital prevê repasse de até R$ 60 milhões para programadoras interessadas em reforçar suas grades com filmes e séries nacionais. Pelo menos 30% dos recursos devem ser destinados a projetos de produtoras independentes sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste — o que coloca a Bahia em posição estratégica na disputa.

Apesar do alto valor, a TVE Bahia ainda não manifestou interesse formal em participar. Entidades representativas do setor garantem ter solicitado informações sobre o encaminhamento da proposta ao Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia, autarquia que controla a emissora estatal, mas dizem não ter recebido resposta até o momento.

A modalidade é semelhante ao edital Bahia na Tela, lançado em 2017 na gestão do ex-governador Rui Costa (PT) e considerado o maior da história do audiovisual baiano. À época, a TVE aportou cerca de R$ 820 mil em licenciamento de obras, o que viabilizou aproximadamente R$ 20 milhões de investimentos em produções locais exibidas na emissora.

No edital atual, por ser um canal público estadual, a TVE teria direito a 60% de desconto no valor do licenciamento das obras. Na prática, isso permitiria captar recursos federais com um investimento proporcionalmente baixo — menos de R$ 1 para cada R$ 10 mobilizados junto ao fundo.

Escassez de recursos estaduais agrava quadro
Para acessar os recursos, segundo apurou o Metro1, bastaria comprovar investimentos anteriores em licenciamento de obras brasileiras independentes. Até agora, no entanto, não há confirmação de adesão. 

Nos bastidores do setor, produtores de cinema criticam a falta de posicionamento do Irdeb e classificam como "preocupante" a ausência de interesse do instituto diante de uma oportunidade que consideram estratégica para uma área que enfrenta escassez de recursos estaduais.

Sobretudo porque, nos três anos da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), não houve lançamento de editais específicos do Fundo de Cultura da Bahia voltados ao cinema. Os aportes no setor ficaram restritos à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e à Lei Paulo Gustavo, financiadas com recursos federais.

Em contato com a imprensa local, produtores e entidades ligados ao audiovisual afirmam que a ausência da Bahia, se confirmada após o fim de prazo para inscrições, representará não apenas a perda de uma fatia significativa dos R$ 60 milhões disponíveis, mas também um recado negativo a um setor que tem impacto econômico e cultural em diversas cadeias produtivas do estado.