Quinta-feira, 04 de junho de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Cultura

/

Morre Marjane Satrapi, criadora de "Persépolis" e voz da resistência iraniana, aos 56 anos

Cultura

Morre Marjane Satrapi, criadora de "Persépolis" e voz da resistência iraniana, aos 56 anos

Artista franco-iraniana morreu aos 56 anos e deixa uma obra marcada pela crítica ao regime do Irã e pela defesa dos direitos das mulheres

Morre Marjane Satrapi, criadora de "Persépolis" e voz da resistência iraniana, aos 56 anos

Foto: Divulgação/Redes sociais

Por: Victor Quirino no dia 04 de junho de 2026 às 15:28

Atualizado: no dia 04 de junho de 2026 às 15:32

A artista, escritora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos. A informação foi confirmada por familiares nesta quinta-feira (4). Em comunicado, parentes afirmaram que a autora de Persépolis morreu "de tristeza", pouco mais de um ano após a morte do marido, o produtor e ator sueco Mattias Ripa.

Reconhecida mundialmente por transformar sua própria trajetória em literatura, Satrapi se tornou uma das vozes mais influentes na denúncia das restrições impostas pelo regime iraniano. Sua obra mais conhecida, "Persépolis", narra a infância e a adolescência em Teerã durante e após a Revolução Islâmica de 1979, período que mudou profundamente a vida das mulheres no país.

Nascida em 1969 na cidade de Rasht e criada na capital iraniana, ela deixou o Irã ainda jovem para estudar na Áustria. Anos depois, mudou-se para a França, onde construiu uma carreira internacional como quadrinista, ilustradora, escritora e cineasta, tornando-se cidadã francesa em 2006.

Lançada em 2000, a graphic novel Persépolis alcançou sucesso mundial ao retratar temas como exílio, identidade, repressão política e liberdade individual a partir de uma narrativa autobiográfica. A obra foi traduzida para dezenas de idiomas e vendeu mais de um milhão de exemplares ao redor do mundo.

Em 2007, a história ganhou uma adaptação para o cinema codirigida pela própria Satrapi. A animação conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Animação, o que ampliou ainda mais o alcance de sua mensagem.

Além da produção artística, Marjane Satrapi manteve uma atuação constante em defesa dos direitos humanos e das mulheres iranianas. Crítica ferrenha do regime de Teerã, apoiou o movimento "Mulher, Vida, Liberdade" e se tornou uma referência internacional na luta por democracia e liberdade de expressão, deixando um legado que ultrapassa as fronteiras da literatura e do cinema.