Cultura

"Não tem nada de chocante", diz Fernando Guerreiro sobre peça com Jesus travesti

Mesmo após suspensão judicial, o espetáculo "Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu" - que tem como personagem principal um Jesus Cristo travesti - foi apresentado na última sexta-feira (27), em Salvador. Na véspera, a peça já havia sido exibida no Espaço Cultural da Barroquinha, mas a decisão do juiz Paulo Albiani Alves, da 12ª Vara Cível e Comercial de Salvador, suspendeu a apresentação no local. [Leia mais...]

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Foto : Metropress

Por Jessica Galvão no dia 28 de Outubro de 2017 ⋅ 10:59

Mesmo após suspensão judicial, o espetáculo "Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu" - que tem como personagem principal um Jesus Cristo travesti - foi apresentado na última sexta-feira (27), em Salvador. Na véspera, a peça já havia sido exibida no Espaço Cultural da Barroquinha, mas a decisão do juiz Paulo Albiani Alves, da 12ª Vara Cível e Comercial de Salvador, suspendeu a apresentação no local.

Segundo Fernando Guerreiro, presidente da Fundação Gregório de Matos(FGM), administradora do espaço, a multa recebida foi de um milhão de reais. "Fomos notificados às 17h30, lá na Fundação Gregório de Matos e a gente não podia mais fazer nada para liberar o espetáculo. Ele havia sido apresentado na véspera, na quinta-feira, e não havia nenhum impedimento. Ontem nós recebemos essa liminar, inclusive com uma multa de R$ 1 milhão por dia, e a gente não pode fazer nada", contou ao Metro1.

De acordo com Guerreiro, a proibição era "restrita" aos espaços da FGM. "A produção do FIAC [Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia] se movimentou e conseguiu uma pauta no teatro do ICBA já que não havia uma proibição da peça ser apresentada em outro espaço", disse ao Metro1.

Polêmica

Algumas pessoas se incomodaram com o conteúdo da peça e isso foi motivo de polêmica, inclusive, com o deputado estadual Pastor Sargento Isidório (Avante) que também ingressou com liminar para derrubar a exibição do espetáculo. Para Fernando Guerreiro, não há nada de chocante.

"Eu resolvi ir até lá para constatar ʹin locoʹ essa polêmica. Eu fiquei absolutamente chocado porque a peça é quase primária no sentido de choque. Não me chocou em nada. Muito pelo contrário, é um espetáculo que prega a fraternidade, o amor. Não tem nada de chocante ao meu ver. Eu acho que a gente está vivendo um momento muito delicado em que a censura começa a pairar de novo sobre as nossas cabeças de uma forma arbitrária e primária até, e a classe artística e a população de um modo geral tem que ficar muito atenta, porque vai ao teatro quem quer, vai assistir um filme quem quer. Então agora nós vamos determinar o que as pessoas podem ou não podem ver? De maneira nenhuma", disse ele ao Metro1.

"Eu cumpri a lei, mas faço questão de afirmar que sou absolutamente contra esse ato de arbitrariedade como todos os outros, e acho que esse espetáculo deva ser apresentado várias e várias vezes, porque o choque hoje não é comportamento, é corrupção. Isso sim pra mim é um grande impacto. Não é um transformista chegar no palco e dizer ʹeu quero ser respeitado como ser humanoʹ. É essa roubalheira que nós estamos mergulhados no nosso país", concluiu o diretor.

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