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Alice quer emancipação com novo CD: ‘Novo público não sabe falar Caymmi’

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Alice quer emancipação com novo CD: ‘Novo público não sabe falar Caymmi’

A nova produção, que foi lançada há uma semana e tem parceria com Pabllo Vittar, Ana Carolina e Rincon Sapiência, sintetiza a verdadeira Alice. “Agora é um negócio mais próprio, muito mais próximo de quem eu sou de verdade. Mais próximo da verdade da coisa”, diz. [Leia mais...]

Alice quer emancipação com novo CD: ‘Novo público não sabe falar Caymmi’

Foto: Divulgação

Por: Clara Rellstab e Alexandre Galvão no dia 26 de janeiro de 2018 às 06:00

Em 2012, quando lançou seu primeiro álbum, ela ainda era Alice Caymmi, a neta de Dorival. Seis anos depois, assina apenas o primeiro nome. A “emancipação”, como conta ao Metro1, é apenas na música. “O nome do disco ser Alice é para dar uma ressaltadinha a mais. Se descolar, né? Cada um tem seu trabalho, cada um faz da sua forma. Já está ficando velha essa história de sombra, né? Não faz mais sentido. Artisticamente me desassocio, mas afetivamente e identitariamente, não”, garante.

Com uma pegada mais voltada para o Pop, Alice ainda não sabe se vai ou se fica no ritmo. O certo é que gostou demais de produzir, escrever e cantar o novo trabalho. “Sim e não. Sim, pois eu gostei demais de fazer. Continuo compondo e pensando dessa forma. Encontrei minha turma, sabe? Eu encontrei minha turma e essa linguagem Pop não é algo que eu estou forçando a barra. Sempre gostei, sempre foi basal para mim. Antes de eu ouvir João Gilberto, eu ouvia Backstreet Boys”, conta.

A nova produção, que foi lançada há uma semana e tem parceria com Pabllo Vittar, Ana Carolina e Rincon Sapiência, sintetiza a verdadeira Alice. “Agora é um negócio mais próprio, muito mais próximo de quem eu sou de verdade. Mais próximo da verdade da coisa”, diz.

Confira, abaixo, a entrevista completa:

Metro1 – O seu novo álbum se chama Alice, sem o Caymmi, que é o seu sobrenome. É uma nova fase?
Alice Caymmi:
O nome do disco é Alice, mas Caymmi sempre. Imagina? é o meu nome. O nome do disco ser Alice é para dar uma ressaltadinha a mais. Se descolar, né? Cada um tem seu trabalho, cada um faz da sua forma. Já está ficando velha essa história de sombra, né? Não faz mais sentido. Artisticamente me desassocio, mas afetivamente e identitariamente, não. É o meu sobrenome, né?

M1 – Em ʹWhatʹs My Nameʹ você faz até um desabado sobre isso, não é?
AC – É. É uma música do Moacir Santos e eu falo ʹthatʹs my nameʹ. E sim, é para as pessoas lembrarem e entenderem. Existe uma pessoa por trás da primeira impressão que as pessoas têm sobre o meu nome.

M1 – Ainda precisa disso? Você já está no terceiro álbum...
AC – É, não precisa mais. Mas com esse novo disco eu estou criando um público maior e que nunca ouviu falar na minha família. Quando você vê o vídeo no YouTube "reação à música da Alice", as pessoas não sabem falar Caymmi, cara. Elas sabem ler, mas não sabem como pronunciar. A galerinha de 15, 16 anos fala ʹquê?ʹ. Às vezes eu olho... fiz um esforço de significado aqui para nada! (risos). Mas estou pegando um público novo, é realmente arriscado.

M1 – Na apresentação do disco novo você diz que ele é uma identidade do que você é de verdade, não mais tanto uma personagem, né?
AC – É, exatamente. Agora é um negócio mais próprio, muito mais próximo de quem eu sou de verdade. Mais próximo da verdade da coisa.

M1 – Esse novo CD tem uma vertente mais voltada para o Pop. É um caminho sem volta?
AC – Sim e não. Sim, pois eu gostei demais de fazer. Continuo compondo e pensando dessa forma. Encontrei minha turma, sabe? Eu encontrei minha turma e essa linguagem Pop não é algo que eu estou forçando a barra. Sempre gostei, sempre foi basal para mim. Antes de eu ouvir João Gilberto, eu ouvia Backstreet Boys. Então, eu gostei demais de fazer.

M1 – Esse encontro com o Pop tem muito a ver com a parceria com Bárbara Ohana?
AC – Claro, ela é uma grande artista, muito estudiosa. O grande lance dela é a produção, a dança, mas esse é o primeiro disco de outra pessoa que ela produz e se mostrou uma grande produtora, uma artista incrível. Ela me mostrou direitinho o caminho das pedras. Não só isso, como compôs boa parte das músicas que estão nesse CD.

M1 – Você falou aí dos Backstreet Boys, mas ouvindo o seu CD a gente sente uma influência muito grande de Björk. Além dela, em quem mais você se inspirou?
AC – Lá atrás tinhas eles e Britney. Agora tem Beyoncé, Rihanna e muito da Lana Del Rey. Ela é incrível, maravilhosa. Tem muito desses artistas todos.

M1 – Você fez parceria com Pabllo Vittar, Ana Carolina e Rincon Sapiência nessa nova produção. Como você chegou nesses artistas?
AC – O único nome novo foi o Rincon. Eu precisava de um rapper. Gostava muito do fluxo dele e fui conhecendo. Então conseguimos fazer. A Ana sempre foi minha amiga e a Pabllo entrou na minha vida pelo Gorky, que é o produtor dela, cuida da carreira dela. Então, é uma coisa entre amigos.

M1 – Na primeira faixa do álbum, ʹSpiritualʹ, você fala de gaslighting. Queria que você explicasse um pouco isso para o nosso público. É um relato pessoal?
AC – É um relato pessoal, sim. São coisas ao longo da vida, não é nada específico. Comecei a perceber que muita gente se utilizava de uma mitologia sobre a mulher geniosa para criar uma ideia de que ela é terrível. Isso não só aconteceu comigo, mas com todas as personalidades da música. Gaslighting é diminuir e manipular a mulher a partir da impressão de que ela é descontrolada, não tem controle sobre as suas faculdade mentais.

M1 – Para finalizar, queria saber como vai ficar a parte estética desse novo CD. Rainha dos Raios tem uma presença muito forte.
AC – Agora vai ser tão forte quanto, tão interessante quanto, mas um caminho diferente. A gente ainda não terminou tudo. As fotos vão ser bem bonitas. A frieza da rainha dos raios deu lugar a um romantismo futurista.